Khalil Al-A'nei/Efe
Khalil Al-A'nei/Efe

Ataques coordenados deixam 111 mortos no Iraque

EUA e Brasil condenam violência que ocorreu em 19 cidades

estadão.com.br,

23 de julho de 2012 | 09h36

Texto atualizado às 18h52

BAGDÁ - Uma ofensiva de explosões e tiroteios matou 111 pessoas no Iraque nesta segunda-feira, 23, o dia mais violento no país em 2012. A violência, 40 atentados em 19 cidades iraquianas, parece ter sido coordenada: bombas foram detonadas em sequência e atingiram principalmente forças de segurança e escritórios do governo - dois dos alvos favoritos da Al-Qaeda. Pelo menos 235 pessoas ficaram feridas.

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O braço da Al-Qaeda na região reivindicou os atentados, a maioria contra prédios públicos do governo xiita. Os iraquianos têm sofrido com o aumento dos conflitos sectários desde a retirada das tropas americanas, em dezembro.

Em uma mensagem divulgada na internet no domingo, o líder da Al-Qaeda no Iraque, Abu Bakir al-Baghdadi, prometera lançar uma nova ofensiva no país. Segundo ele, com a retirada dos americanos, o grupo está se reorganizando. A onda de atentados coincidiu com o início do Ramadã, mês sagrado do islamismo.

"Estamos voltando a dominar territórios que costumávamos controlar", declarou o radical sunita. Ele elegeu como alvo o governo xiita do país.

Analistas dizem que o grupo busca renovar sua força no vácuo de segurança deixado pela saída das forças dos EUA, aproveitando a divisão no governo em Bagdá e o levante de rebeldes sunitas na Síria para semear instabilidade no Iraque. Autoridades americanas e iraquianas insistem que a Al-Qaeda está longe da força que possuía quando o país esteve à beira de uma guerra civil, entre 2006 e 2008.

Mohammed Munim, de 35 anos, estava trabalhando em um escritório do Ministério do Interior no bairro xiita de Sadr City, em Bagdá, quando um carro explodiu do lado de fora. "Foi uma explosão ensurdecedora", contou ele. "As únicas coisa de que me lembro são a fumaça e o fogo, que estavam em todo lugar."

Para o analista militar iraquiano Khalid Fadel, os ataques aumentam as preocupações em torno da capacidade do governo de conter a violência sectária sem os americanos no país. "A Al-Qaeda evidenciou a piada que é a capacidade de segurança do governo", disse Fadel. "Era muito claro que eles atacariam durante o Ramadã, o governo disse ter acesso a informações sobre a entrada de 30 terroristas no país e mesmo assim não impediram os atentados."

O pior ataque aconteceu na cidade de Taji, cidade predominantemente sunita a cerca de 20 quilômetro de distância da capital. A polícia afirma que bombas plantadas em torno de cinco casas xiitas explodiram uma hora após o nascer do sol.

Em seguida, um homem-bomba detonou seu cinto com explosivos no meio dos policiais que correram para ajudar. No total 41 pessoas foram mortas, informou a polícia.

Em um ousado ataque o contra o Exército iraquiano, três carros cheios de homens armados chegaram próximos de uma base na cidade de Udaim, nordeste do país, e começaram a atirar nos soldados. Treze foram mortos e os atiradores conseguiram escapar. Outros ataques ocorreram em Duluiyah, Tuz, Dujail, Balad, Baqba, Mosul, Kirkuk e em duas cidades da Província de Diwanyia, no sul do país.

Condenação

Os Estados Unidos condenaram os ataques, que classificaram como "covardia". "Condenamos nos termos mais fortes estes ataques de hoje no Iraque. O ataque a inocentes sempre é covarde. É particularmente censurável durante esse mês sagrado do ramadã", disse a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Victoria Nuland.

O Governo brasileiro recebeu, com consternação, a notícia da série de atentados e manifestou seu pesar e solidariedade às famílias das vítimas, bem como ao Governo e ao povo iraquianos, reiterando sua condenação a todo e qualquer ato de terrorismo.

Com AP, AFP e NYT

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