Patrick Baz/AFP
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Ataques da coalizão destruíram Força Aérea de Kadafi, diz general britânico

Aviões da aliança internacional já transitam sem nenhuma resistência pelos céus da Líbia

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2011 | 00h00

PARIS - Ainda em meio a um impasse político, a coalizão militar liderada por EUA, França e Grã-Bretanha anunciou ontem ter destruído a capacidade operacional da Força Aérea da Líbia. Segundo Londres, os aviões aliados transitam pelo país sem nenhuma resistência, nem mesmo de baterias antiaéreas, o que lhes permitiu atacar tanques e tropas fiéis ao líder Muamar Kadafi. 

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O balanço dos bombardeios foi divulgado na base de Gioia del Colle, na Itália, pelo general britânico Greg Bagwell. Segundo ele, as forças aliadas já sobrevoam os céus da Líbia sem serem ameaçadas.

Os cinco primeiros dias de ataques tiraram de serviço o sistema de defesa aérea e as redes de comando e controle. "Tiramos seus olhos e seus ouvidos", afirmou Bagwell. "A Força Aérea líbia não existe mais." Desde ontem, os aviões da coalizão se concentram em ataques ao solo, destruindo tanques e outros blindados, para reduzir o poderio militar de Kadafi e ampliar a segurança dos civis. Parte dos bombardeios foi dirigida a Misrata e Az Zintan, que estão sitiadas, além da capital, Trípoli - quartel-general das forças do ditador líbio.

Apesar da desorganização dos dissidentes em Benghazi, as notícias trouxeram otimismo ao Conselho Nacional de Transição, órgão provisório dos rebeldes.

Ontem, em Paris, Ali Zeidan, porta-voz do movimento, afirmou que a continuidade dos ataques abre a possibilidade de que Kadafi seja derrotado em dez dias. Embora a intervenção militar ocidental tenha alimentado o otimismo dos rebeldes, o ditador tem endurecido seu discurso nos últimos dias, relatando a seus partidários os avanços no que qualifica de "luta contra terroristas e imperialistas".

Impasse  A eficiência das operações, porém, não acabou com as diferenças entre Washington, Paris e Londres sobre a troca de comando militar - hoje nas mãos dos EUA. Ontem, uma reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bruxelas não resolveu o impasse e um novo encontro foi marcado para Londres, na terça-feira.

A tendência, segundo os governos francês e americano, é de que um comitê político formado por ministros das Relações Exteriores dos países da coalizão exerça o comando político, deixando o controle das operações militares nas mãos da Otan.

O chanceler da França, Alain Juppé, disse que a organização exercerá apenas o papel de "ferramenta de planificação e de condução operacional", enquanto o comitê de chanceleres responderá pelas decisões políticas.

Para especialistas, a criação do comitê político é uma alternativa para reduzir a exposição da Otan e dos EUA. "A análise do governo francês é de que o ideal seria que a intervenção não fosse obra da Otan, porque a organização lembra demais os EUA no mundo árabe", disse Dominique David, diretor do Instituto Francês de Relações Internacionais.

Jean-Pierre Maulny, especialista do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, pensa da mesma forma. "Alguns membros da coalizão concordam que a Otan exerça o comando militar, mas querem que ela não apareça em primeiro plano, porque sua imagem não é boa."

Coincidência ou não, um dia após o anúncio da criação do comitê político, Kuwait e Jordânia anunciaram apoio logístico à coalizão. A Turquia disse que enviará um submarino e cinco navios para patrulhar a costa líbia. / COM REUTERS E AFP

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40 pessoas morreram e 180 ficaram feridas nos últimos três dias em Misrata, segundo rebeldes

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