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Ataques de coalizão internacional não enfraqueceram o EI, dizem analistas

De acordo com funcionários de inteligência dos EUA, mesmo com a perda de 10 mil combatentes e de parte de seu território, grupo jihadista mantém poder quase idêntico ao que tinha em 2014

O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2015 | 16h00

WASHINGTON - Depois de um ano de ataques, nos quais a coalizão internacional liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico (EI) gastou milhões de dólares, e apesar de mais de 10 mil jihadistas terem sido mortos, o grupo extremista não está mais fraco do que em agosto de 2014, de acordo com estudo das agências de inteligência americanas.

A campanha militar evitou que o Iraque caísse nas mãos dos extremistas e aumentou a pressão contra o EI no norte da Síria, especialmente em Raqqa - capital do autoproclamado califado. No entanto, os analistas de inteligência consideram que a situação como um todo chegou a um impasse estratégico: o EI continua sendo um exército extremista bem financiado e capaz de repor suas fileiras com combatentes estrangeiros tão rápido quanto os EUA e seus aliados os eliminam.

Além disso, nesse mesmo período o grupo conseguiu expandir sua atuação para outros lugares, como a Líbia, a Península do Sinai e o Afeganistão.

As avaliações do trabalho da coalizão feitas pela CIA, pela Agência de Inteligência de Defesa e por outros órgãos dos EUA parecem contradizer a linha otimista adotada pelo enviado especial do governo do presidente Barack Obama, John Allen. O general da reserva afirmou em um fórum em Aspen, no Colorado, na semana passada que o "EI está perdendo" no Iraque e na Síria. As avaliações foram feitas por funcionários do governo que não foram identificados por não terem autização para comentar o assunto.

"Não vimos nenhuma redução significativa em seus números", disse um funcionário da Defesa dos EUA, citando estimativas de inteligência que quantificam entre 20 mil e 30 mil a cifra de radicais que combatem pelo EI hoje, a mesma que o grupo tinha há um ano.

O poder que o Estado Islâmico continua mantendo também levanta dúvidas sobre a abordagem de Washington para a ameaça representada pelo grupo aos Estados Unidos e seus aliados. Embora as autoridades não acreditam que o EI esteja planejando ataques complexos no Ocidente, o chamando o grupo aos muçulmanos ocidentais para matarem em seus países tornou-se um problema sério, afirma o diretor do FBI, James Comey.

Apesar da campanha de bombardeio e com a proibição da administração Obama de que soldados americanos acompanhem os combatentes na linha de frente das batalhas, expulsar os radicais de seus redutos poderia levar uma década, disseram analistas. E o governo Obama está convencido a não colocar tropas na zona de combate, apesar dos pedidos de alguns no Congresso.

 

A coalizão liderada pelos Estados Unidos e seus aliados sírios e curdos em solo tem feito algum progresso. Nos primeiros seis meses de 2015, o EI perdeu 9,4% do território que tinha conquistado, de acordo com uma análise do IHS, um grupo que monitora o conflito. A campanha militar serviu para acabar com a sensação de força e inevitabilidade surgido após o impressionante progresso da milícia radical no ano passado.

 

"Em Raqqa, (os combatentes do EI) estão sendo estrangulado lentamente", disse um ativista que fugiu da cidade no início deste ano e falou sob condição de anonimato para proteger os membros da família e amigos que ainda estão lá. "Não existe mais a sensação de que Raqqa é um porto seguro para o grupo."

Apesar disso, os funcionários de inteligência e outros especialistas dizem que, no cenário mais amplo, o EI tem resistido bravamente. 

No Iraque, o grupo extremista assumiu o controle de Ramadi, uma importante capital provincial, a permanece na cidade. Mesmo com as autoridades americanas tendo afirmado mais de uma vez que era importante Bagdá recuperar o controle de Ramadi, não há indícios de que isso vá acontecer num futuro próximo. / AP

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