Ataques do EI no Iraque matam chefe de polícia e tropas curdas

Três ataques suicidas fizeram ao menos 60 vítimas; general americano volta a falar sobre ação por terra

BAGDÁ , O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2014 | 02h02

Ataques a bomba do grupo Estado Islâmico (EI) mataram ontem 60 pessoas, entre elas um chefe de polícia provincial iraquiano e soldados curdos peshmergas, e deixaram mais de 120 feridas na Província de Diyala, a noroeste de Bagdá. Segundo autoridades locais, os ataques ocorreram perto da sede do governo local e da chefia da polícia curda.

O EI reivindicou a responsabilidade pelo ataque suicida em um complexo de segurança curda no norte do país, dizendo que havia enviado três homens-bomba estrangeiros: um alemão, um saudita e um turco, de acordo com o SITE, grupo que monitora anúncios jihadistas.

Mais cedo, o chefe de polícia da Província de Anbar, general Ahmed Sadak, foi morto quando duas bombas colocadas em uma estrada rural foram detonadas enquanto o comboio onde ele estava passava.

Funcionários provinciais disseram que a morte de Sadak foi um retrocesso nos esforços das forças de segurança iraquianas de tomar o controle total da Província dos jihadistas.

Tropas. O chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Martin Dempsey, disse ontem que conselheiros militares americanos terão um papel mais direto no combate ao EI numa campanha terrestre, quando as tropas iraquianas estiverem prontas para iniciar uma ofensiva. Dempsey ressaltou, no entanto, que ainda não houve uma situação em que a presença de forças americanas em terra tenha tornado mais eficazes os ataques aéreos iniciados em 8 de agosto.

"Mossul será provavelmente a batalha decisiva na campanha terrestre em algum ponto no futuro", disse o general em uma entrevista à rede ABC, em referência à cidade do norte do Iraque tomada por militantes do EI em junho. "Meu instinto nesse ponto é que exigirá um tipo diferente de assessoramento e ajuda pela complexidade da batalha."

Dempsey causou polêmica em setembro ao afirmar que se fosse necessário recomendaria o envio de conselheiros militares ao front, embora o presidente Barack Obama tenha dito várias vezes que não enviaria tropas de seu país a solo iraquiano.

No Cairo, o secretário de Estado americano, John Kerry, declarou que os iraquianos deverão combater os jihadistas para recuperar o país. "Em última instância, são os iraquianos que deverão recuperar o Iraque. Com o tempo, acreditamos que a estratégia se consolidará, a capacidade se consolidará, e o Daesh (acrônimo de EI em árabe) ficará mais isolado."

Prisioneiros. Militantes do EI divulgaram uma nova gravação, desta vez com o jornalista britânico sequestrado John Cantlie apresentando uma mensagem de quase sete minutos, dizendo que "qualquer um esperando por uma operação cirúrgica sem que suas mãos sejam sujas de sangue terá uma surpresa terrível a caminho". O jornalista trabalha para vários veículos, entre eles, o Sunday Times.

Além de mensagens em vídeo, o grupo divulgou em outras ocasiões gravações com a decapitação de três outros reféns -dois americanos e um britânico. / AP, AFP, NYT e REUTERS

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