Pedro Ugarte/AFP
Pedro Ugarte/AFP

Ataques do Taleban são ocasionais, diz Obama

Presidente americano defende retirada e diz que Afeganistão está mais seguro

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Um dia depois do atentado que matou 21 pessoas em um hotel frequentado por ocidentais no Afeganistão, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o país ainda é perigoso e pode ser alvo de novos atentados do Taleban. Ele reforçou seu plano de retirada de 33 mil soldados até setembro de 2012, anunciado no dia 22, e afirmou que ataques de radicais podem ocorrer ocasionalmente.

Cuidadoso com as palavras, Obama afirmou que é muito cedo para declarar vitória no Afeganistão e advertiu para o fato de o trabalho dos americanos ainda não estar concluído. "Estamos retirando esses 33 mil soldados porque tivemos sucesso em nossas operações", afirmou, em entrevista coletiva na Casa Branca. "Nós entendemos que o Afeganistão é um lugar perigoso, que o Taleban ainda está ativo", disse Obama.

Ainda de acordo com o presidente, as ações americanas no Afeganistão estão atualmente mais concentradas em duas tarefas: assegurar que a Al-Qaeda não atacará os EUA e preparar as forças afegãs para cuidar da segurança do país.

"Cabul é muito mais segura do que antes e as forças afegãs são mais capazes. No entanto, isso não significa que não ocorrerão mais eventos assim", declarou Obama.

Uma pesquisa do Instituto Gallup divulgada ontem indicou que 72% dos americanos apoiam o plano de retirada do Afeganistão divulgado pela Casa Branca. Apenas 23% dos consultados se opuseram ao projeto, que prevê a saída dos últimos militares americanos no fim de 2014.

Orçamento. Quando Obama citou ontem o custo como uma das razões para retirar as tropas americanas do Afeganistão, ele se referiu a uma quantia de US$ 1 trilhão que foram até agora gastos pelo país em seus atuais conflitos bélicos.

No entanto, de acordo com o projeto de pesquisa intitulado "Custos da Guerra", feito pelo Instituto Watson de Estudos Internacionais, da Universidade Brown, divulgado ontem, essa cifra subestima grosseiramente o custo total das guerras no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão. Segundo o estudo, a avaliação da Casa Branca ignora também valores mais vultosos que ainda devem surgir. A conta total deve ficar entre US$ 3,7 trilhões e US$ 4,4 trilhões até 2020.

Nos dez anos de guerra no Afeganistão, os gastos já ultrapassaram US$ 2,3 trilhões. O estudo incluiu ainda outro US$ 1 trilhão em juros da dívida bélica e mais alguns bilhões de dólares ainda impossíveis de contabilizar. A cifra deve aumentar ainda mais.

O Taleban libertou ontem dois jornalistas franceses mantidos reféns desde dezembro de 2009 no Afeganistão. Stephane Taponier e Herve Ghesquiere estavam em boas condições de saúde, após 550 dias de cativeiro. / COM REUTERS e AP

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