Ataques dos EUA já são menos intensos

Depois de despejar toneladas de bombas convencionais nas pistas dos aeroportos de quatro cidades e sobre os acampamentos e centros de treinamento da organização Al Qaeda, em várias partes do Afeganistão, os Estados Unidos reduziram consideravelmente o número de aviões utilizados e valeram-se mais de bombas guiadas para atingir alvos específicos no segundo dia do ataque.Em lugar dos 25 F-14 e F-18 que decolaram dos porta-aviões Enterprise e Carl Vinson, no domingo, apenas dez caças de ataque participaram da ação, nesta segunda-feira, segundo o chefe do estado-maior conjunto americano, general Richard Myers.O número de aviões de bombardeio pesado empregado no segundo dia do ataque também caiu, de quinze para dez. Os velhos B-52 sairam de cena, e a missão foi executada pelos mais avançados B-1 Lancer, a partir da base britânica de Diego Garcia, no Oceano Índico, e os B-2 Spirit, que têm a forma de um uma asa delta, são invisíveis aos radares e operam apenas a partir da base de Whiteman, no estado do Missouri.A Inglaterra não participou das ações desta segunda. O número menor de meios empregados no segundo dia do ataque foi intepretado por vários analistas militares como um sinal do sucesso do bombardeio inicial contra os primeiros 31 alvos escolhidos.O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, disse que as incursões levadas a cabo nesta segunda visavam posições de comando e controle do Taleban e concentrações de tropas, tanques e outros veículos blindados do regime de Cabul, especialmente na região de Mazar-Sharif, no norte do Afeganistão, não muito longe da fronteira do Uzbequistão e da área controlada pela Aliança do Norte, que combate há anos o Taleban.Essas informações, que são de difícil verificação, reforçam a mensagem política que Washington têm dado, ou seja, de que se trata de uma guerra não contra o Afeganistão, mas de uma operação cuidadosamente medida contra uma organização terrorista que opera no país sob a proteção do governo local.De acordo com fontes do Pentágono, o caças americanos encontraram resistência maior de fogo antiaéreo nesta segunda. Esta teria incluído mísseis portáteis Stinger. Esses mísseis, de fabricação americana, estão no Afeganistão desde a década de 80, quando foram fornecidos pela CIA para as forças que lutavam então contra a ocupação do país pelos soviéticos.Osama bin Laden e muitos dos membros do Taliban são veteranos da guerra contra Moscou. Os Stingers tem um raio de ação insuficiente para atingir os aviões americanos, na altitude superior a 3 mil metros da qual lançam suas bombas.O fato de os EUA não terem perdido nenhum avião nos dois primeiros dias do ataque sugere que as plataformas fixas, capazes de lançar mísseis de maior alcance, foram destruídas no bombardeio inicial. Por mais eficazes que tenham sido esses ataques, Rumsfeld e Myers deixaram claro nesdta segunda que o poder aéreo não será suficiente para realizar o objetivo imediato da ofensiva americana, que é desestabilizar o regime do Taleban.Myers afirmou que, embora o primeiro dia de ataque tenham reduzido a defesa aérea do inimigo, ela não foi completamente destruída. Além disso, os comandantes militares do Afeganistão continuavam a se comunicar por vários meios, nesta segunda, informou Rumsfeld.?É muito improvável que os ataques aéreos venham a destruir o Taleban?, disse ele. ?Temos que ter uma clara compreensão do que é possível no Afeganistão: os soviéticos bombarderam o país ano após ano e muito do que existe lá são escombros?.Segundo o secretário de Defesa, o Taleban não oferece nenhum alvo de grande valor. ?Esse ataques são apenas uma pequena parte do esforço?.As declarações forneceram o mais claro indício, até agora, de que forças especiais americanas serão chamadas a operar dentro do Afeganistão, se é que lá já não estão. O cenário militar inclui, também, o avanço das forças da Aliança do Norte contras as defesas do Taleban, no nordeste do país, numa segunda fase.A primeira, a dos bombardeios aéreos, deve continuar por mais alguns dias, talvez até os primeiros sinais mais visíveis de divisão no Taleban. Leia o especial

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