REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Ataques e saques a comboios humanitários no Haiti preocupam ONU

Coordenador de ajuda humanitária no país diz que é preciso ampliar segurança para garantir a chegada dos comboios de ajuda até as regiões mais afetadas pelo furacão Matthew

O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2016 | 10h48

PORTO PRÍNCIPE - A ONU expressou sua preocupação no domingo, 16, pela proliferação de incidentes e ataques que impedem a distribuição de ajuda de emergência às pessoas atingidas pelo furacão Matthew, que devastou o Haiti no começo do mês.

"Esta é evidentemente uma preocupação para a coordenação e o envio da ajuda", disse o coordenador de ajuda humanitária no Haiti, Mourad Wahba. "Mas não se precisa apenas de uma resposta de segurança", afirmou, se referindo sobre a necessidade também de uma resposta humanitária. "As pessoas têm fome, e é preciso conseguir abrir as vias para ajudá-las."

Quase duas semanas depois da passagem do furacão, muitos habitantes de zonas isoladas têm sido tomados pela raiva: vários comboios humanitários foram bloqueados por barricadas e, em alguns casos, saqueados na rota nacional que conduz a península do sul, a mais afetada por Matthew.

No sábado, um caminhão fretado pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU foi saqueado frente à entrada da base da ONU na cidade de Les Cayes, uma das mais atingidas pelo poderoso furacão, que atingiu ventos de 230 km/h quando chegou ao Haiti em 4 de outubro.

Os capacetes azuis senegaleses usaram granadas de gás lacrimogêneo contra as pessoas que saqueavam o caminhão, que responderam jogando pedras, informou o responsável da ONU. Este ataque foi perpetrado pouco antes de o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ter chegado de helicóptero na base da ONU em Les Cayes.

"Todo ataque contra um comboio humanitário é um ataque contra os que sofrem, contra os mais necessitados", disse Ban em sua volta a Porto Príncipe, depois de contar que ele tinha sido testemunha do ataque.

Sem acesso seguro a alimentos nem água, mais de 175 mil haitianos atingidos pelo furacão continuam refugiados em albergues provisórios e preocupados por seu futuro. / AFP

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