Ataques em 17 cidades do Iraque matam 63

Série de explosões em metade das províncias iraquianas pega governo de Bagdá de surpresa; características da ação apontam para Al-Qaeda

, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2011 | 00h00

BAGDÁ

Uma série de atentados a bomba em 17 cidades fez o Iraque viver ontem seu dia mais sangrento em anos. Segundo o governo de Bagdá, morreram 63 iraquianos que iniciavam a jornada de trabalho. Mais de 250 ficaram feridos.

Embora nenhum grupo tenha reivindicado a autoria dos ataques, autoridades e especialistas já acusam insurgentes ligados à Al-Qaeda pela ofensiva. O modo de operação sofisticado e os alvos escolhidos trariam a marca dos jihadistas sunitas, afirma Bagdá.

Os atentados foram cometidos praticamente na mesma hora, pela manhã, usando de carros e homens-bomba a explosivos em postes e geladeiras. Os militantes atacaram áreas xiitas e instalações das forças iraquianas.

A explosão mais mortífera ocorreu em Kut, 160 km ao sul de Bagdá, em um mercado. Insurgentes colocaram uma bomba em um refrigerador. Após a explosão, enquanto equipes de socorro prestavam atendimento, um carro-bomba foi detonado. Ao todo, 35 morreram.

Outras cidades, como Bagdá, Kirkuk e Kerbala, também foram atingidas. Se confirmada a autoria, o fato de insurgentes ainda terem capacidade de lançar uma ofensiva tão sangrenta coloca em xeque as alegações sobre a redução do poder de fogo da Al-Qaeda.

Os EUA e o governo do premiê Nuri al-Maliki vinham afirmando que a morte dos dois principais líderes da insurgência sunita havia enfraquecido a facção. Mas a ação de ontem demonstraria que os jihadistas, mesmo enfraquecidos, conseguiram manter um poder de fogo devastador. Os EUA querem deixar o Iraque até dezembro. Mas Bagdá quer a permanência de um contingente americano reduzido. / AP

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