Ataques em mesquitas do Paquistão deixam pelo menos 80 mortos

De acordo com televisões locais, havia cerca de 1.500 pessoas nos templos, localizados em Lahore

estadão.com.br

28 Maio 2010 | 08h07

 

ISLAMABAD - Pelo menos 80 pessoas morreram e outras 108 ficaram feridas em ataques a duas mesquitas da cidade oriental paquistanesa de Lahore nesta sexta-feira, 28, por supostos terroristas, disseram as autoridades paquistanesas.

 

As emissoras informaram Geo TV e Dawn TV que houve explosões e tiroteios nas mesquitas de Garhi Shahu e Model Town durante o horário das orações das sextas-feiras. Cerca de 1.500 fiéis estavam reunidos nos templos no momento do ataque simultâneo, cuja autoria foi assumida pelo movimento taleban Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), segundo a Geo.

 

Sajjad Bhutta, vice-comissário da Polícia e Lahore, havia dito que pelo menos 70 pessoas haviam morrido nos ataques. Além disso, 78 ficaram feridas. Posteriormente, o número de mortos e feridos foi elevado. Segundo a fonte, o número de vítimas é maior em Garhi Shahu, onde três terroristas suicidas detonaram seus explosivos quando a Polícia tentava entrar no local.

 

Segundo as primeiras informações, depois de atacar as mesquitas, os terroristas mantiveram os fiéis reféns e entraram em enfrentamentos com as forças de segurança desdobradas na região.

 

Segundo o correspondente da BBC em Islamabad, Aleem Maqbool, os atentados parecem ter natureza sectária. As mesquitas são da seita ahmadi, movimento religioso fundado no final do século 19 na Índia. Os ahmadi se consideram muçulmanos e seguem os ensinamentos do Corão, mas tem crenças distintas e, por isso, são tidos oficialmente, pelo menos no Paquistão, como não-muçulmanos.

 

Seus seguidores acreditam que o fundador da seita, Mirza Ghulam Ahmad, que morreu em 1908, era um profeta. Essa crença vai contra os princípios da maioria dos muçulmanos, que acreditam que Maomé, que morreu em 632, foi o último profeta. No passado, os ahmadis foram alvo de ataques de grupos radicais sunitas.

 

Rifles e explosivos

 

Testemunhas disseram à BBC que uma série de atiradores lançou ataques simultâneos contra uma mesquita na área de Model Town e outra na populosa região de Garhi Shahu. Os militantes estavam armados com rifles AK-47, pistolas, granadas e possivelmente outros explosivos, segundo relatos. Um militante foi morto e outros dois presos, de acordo com a polícia.

 

Dezenas de ambulâncias levaram mortos e feridos para hospitais. Imagens da televisão paquistanesa mostraram um militante no topo de um minarete, atirando com um rifle e jogando granadas enquanto a polícia enfrentava atiradores no solo. Na segunda mesquita, os militantes estariam mantendo fiéis reféns, segundo testemunhas.

 

Ahmadi

 

Em março, pelo menos 45 pessoas morreram quando dois homens-bomba realizaram um ataque em uma populosa área residencial. Ataques sectários vêm sendo realizados por vários grupos militantes na província de Punjab e outras partes do Paquistão.

 

A minoria ahmadi foi declarada um grupo não-muçulmano no país em 1974 e submetida a uma série de restrições. A seita islâmica foi fundada em 1889.

 

Policiais montam guarda fora de uma das mesquitas.

 

Com informações das agências Efe, AP e BBC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.