Ataques em Paris vão dominar cúpula do G-20

A partir deste sábado, 14, as maiores potências se reúnem em Antaly, na Turquia; oficialmente, os temas políticos ficariam apenas para um jantar entre os líderes, enquanto a agenda oficial seria marcada por temas econômicos.

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2015 | 20h53

ANTALYA, Turquia – Criado para ser uma espécie de diretório da economia mundial, o G-20 terá sua cúpula ofuscada por mais um ataque em Paris, às vésperas do encontro dos líderes mundiais. A partir deste sábado, 14, as maiores potências se reúnem na cidade costeira de Antalya, divididos em relação ao destino dado aos refugiados, sobre como lidar com o Estado Islâmico e sem um plano para tirar a Síria do pior desastre humanitário do século XXI. Mas, já na noite de ontem, diplomatas e negociadores confirmaram ao Estado que, se confirmado mais um ataque terrorista, a agenda do encontro sofreria uma profunda mudança.

Oficialmente, os temas políticos ficariam apenas para um jantar entre os líderes, enquanto a agenda oficial seria marcada por temas econômicos. No comunicado final, a meta era apenas de ter uma referência sobre a necessidade de lutar contra o terrorismo, já que não existia um consenso entre os negociadores sobre o tema.

 

Mas durante a madrugada, alguns dos principais líderes já conversavam sobre como usar a cúpula para dar um recado “forte” aos terroristas. A segurança também foi reforçada. “A ideia é de mostrar união”, comentou um diplomata, que ainda desconhecia o formato final que ganharia a declaração. “Agora, tudo vai mudar nessa cúpula”, declarou outro.

Depois de um primeiro ataque, no início do ano, a comunidade internacional mostrou solidariedade em relação à situação na França. Mas, nos meses que se seguiram, as tradicionais divisões voltaram a fazer parte do debate, inclusive sobre a guerra na Síria e o fluxo de refugiados.

O local para tratar do assunto não poderia ser mais simbólico, com um encontro a pouco mais de 500 quilômetros da fronteira da Síria. Do outro lado, um território dominado pelo Estado Islâmico, o que exigiu dos organizadores turcos uma segurança com 12 mil homens.

Mas não foram apenas os eventos que se impuseram na agenda. A insistência em transformar a reunião em uma cúpula política foi também do anfitrião, o presidente turco, Tayyip Erdogan, que espera sair do evento fortalecimento domesticamente e visto como um parceiro internacional.

Frustrado com a falta de ajuda do Ocidente em lidar com os refugiados, com o terrorismo e com seu apelo para que Bashar Al Assad deixe o poder, seus diplomatas na ONU indicaram ao Estado que Erdogan usará a cúpula para garantir que sua postura seja de alguma forma refletida no comunicado final do G-20, ou pelo menos levado em consideração nos encontros bilaterais. 

Mas, uma vez mais, a comunidade internacional desembarca para uma cúpula sem uma resposta sobre como lidar com o terrorismo, o EI e a guerra na Síria. Se em 2014 o presidente russo, Vladimir Putin, foi tratado praticamente como um pária na cúpula do G-20, desta vez os demais líderes admitem que o cenário não se repetirá. A posição do Kremlin de que não existe uma solução política sem incluir Bashar Al Assad ganha cada vez mais força, segundo os negociadores. Principalmente depois que a maior ameaça passou a ser o Estado Islâmico. 

A presença ainda da Arábia Saudita no encontro também promete aprofundar a divisão, com Riad em um estado de alerta diante do avanço do EI. Nas conversas que antecederam a cúpula, os sauditas fizeram questão de que o comunicado final trouxesse uma condenação explícita ao terrorismo, ainda que a palavra signifique uma coisa diferente para cada um dos governos em torno da mesa. 

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