Ataques em série matam 84 no Iraque

No dia mais sangrento desde a retirada dos Estados Unidos do Iraque, em dezembro, uma série de explosões - mais de 20 segundo agências internacionais de notícias -, principalmente contra alvos xiitas, matou 84 pessoas, segundo a emissora britânica BBC. Os ataques ocorreram na capital, Bagdá, e mais de dez cidades do país ontem. Ainda segundo a BBC o número de feridos chegou a cerca de 300.

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2012 | 03h01

Os ataques ocorreram enquanto peregrinos xiitas se encaminhavam ao templo que homenageia o imã Mussa al-Kadhim, no distrito de Kadhimiyah, oeste da capital, localidade que, juntamente ao bairro de Karrada, no centro de Bagdá, foi palco de dez ataques a bomba e dois tiroteios.

Os religiosos celebram o aniversário da morte do bisneto do Profeta Maomé, festa que terá seu auge no sábado. Mas alvos políticos curdos também foram atacados em Kirkuk e Mossul. E integrantes das forças de segurança morreram juntamente aos religiosos xiitas na capital e nas cidades de Hilla, Balad, Kerbala, Taji, Al-Azizya, Haswa, Khaldiya e nas imediações de Faluja e Baquba.

Segundo a Reuters, ao menos 30 pessoas foram mortas nos atentados em Bagdá. A ação mais violenta matou 13 peregrinos que tomavam café da manhã num acampamento montado em Karrada, de acordo com a agência France Presse.

"Um grupo de peregrinos estava andando e passou por uma barraca que lhes oferecia comida e bebida quando, de repente, um carro explodiu ao lado deles. Pessoas corriam cobertas de sangue e os corpos se espalharam pelo chão", disse o policial Wathiq Muhana, cuja patrulha estava estacionada próximo ao local atacado em Karrada.

Ainda na capital, onde a primeira explosão ocorreu por volta das 5 horas (23 horas de anteontem em Brasília) outros religiosos xiitas foram mortos a caminho de Kadhimiyah. Uma mesquita xiita também foi atacada em Bagdá.

Ainda de madrugada, explosões simultâneas de carros-bomba nas imediações de restaurantes usados pelas autoridades de Hilla, cidade de maioria xiita no sul do país, deixaram ao menos 22 mortos. "Quando um micro-ônibus repleto de policiais estacionou próximo aos restaurantes, um carro explodiu próximo a eles", afirmou Maitham Sahib, dono de um dos estabelecimentos localizados nas imediações da primeira explosão.

Ao todo, mais de 21 bombas foram detonadas ontem. A desconfiança é que insurgentes sunitas ligados à Al-Qaeda tenham praticado os atentados, mas nenhuma organização assumiu a autoria das ações imediatamente.

Por volta das 5 horas, sete pessoas morreram em Taji, ao norte de Bagdá, vítimas de uma explosão que atingiu uma procissão de xiitas. Na cidade sagrada xiita de Kerbala, ao sul da capital, pelo menos duas pessoas morreram em uma explosão de um carro-bomba. Em Balad, outro reduto xiita, ao norte da capital, duas explosões simultâneas de carros-bomba deixaram sete mortos.

Em Kirkuk, no norte do país, duas pessoas morreram em explosões, uma delas diante do escritório do partido do presidente da região semiautônoma do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani. Um jornalista da France Presse ficou ferido em um dos ataques. Em Mossul, o comitê da União Patriótica do Curdistão, partido do presidente iraquiano, Jalal Talabani, foi atacado - e duas pessoas morreram na ação.

As explosões de ontem evidenciam a divisão sectária no Iraque, que tem se agravado desde a retirada dos EUA do país, além da instabilidade que os americanos deixaram para trás. / NYT, AFP, REUTERS e AP

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