Ataques geram protestos e também apoio

Ativistas muçulmanos promoveram protestos de rua, europeus se mostraram preocupados com ataques retaliatórios terroristas e governos aliados reiteraram seu apoio aos Estados Unidos enquanto os ataques aéreos continuavam nesta terça-feira no Afeganistão. No Egito, universitários queimaram bandeiras dos EUA e de Israel e gritavam: "Arrogante George Bush, amanhã você irá colher os frutos de sua guerra!" Na Indonésia, centenas de ativistas islâmicos entraram em confronto com a polícia na frente da Embaixada americana na capital, Jacarta. A polícia fez disparos para o ar e usou canhões de água e gás lacrimogêneo para afastar os manifestantes do prédio fortemente guardado. Várias pessoas ficaram feridas. Numa região dominada por muçulmanos nas Filipinas, cerca de 5.000 manifestantes gritavam "Morte à América" e "Longa vida Osama bin Laden" enquanto queimavam bandeiras americanas e fotos do presidente George W. Bush. Líderes muçulmanos na cidade de Marawi advertiram que os americanos na região não estão seguros. O poderoso Partido Islâmico Pan-Malaio, da Malásia, acusou os Estados Unidos de atacarem o Afeganistão sem provas e pediu para as Nações Unidas declararem os EUA um país terrorista. Autoridades paquistanesas e palestinas tomaram iniciativas para conter os protestos que ocorreram após a primeira onda de bombardeios anglo-americanos contra alvos do Taleban e da Al-Qaeda no domingo. O Paquistão, um aliado-chave na campanha liderada pelos EUA para capturar o suposto terrorista Bin Laden e neutralizar sua organização Al-Qaeda, reforçou medidas de segurança e deteve três clérigos muçulmanos que organizaram protestos. A China, outro vizinho do Afeganistão, enviou tropas extras para suas fronteiras com Afeganistão e Paquistão e fechou a área para estrangeiros. Na Faixa de Gaza, a Autoridade Palestina fechou universidades e escolas um dia depois que dois palestinos foram mortos e 76 feridos em protestos antiamericanos. Notícias dos protestos reforçaram temores de europeus de que o continente pode se tornar um alvo para ataques retaliatórios terroristas. Na Grécia, pesquisas de opinião mostraram que a maioria dos gregos se opõe aos bombardeios aéreos e teme que seu país se torne alvo de terrorismo. A polícia britânica, que foi inundada por telefonemas de pessoas ansiosas, tentou diminuir temores de que Londres pode se tornar alvo preferencial devido ao envolvimento britânico nos ataques aéreos. "A ameaça é geral", disse o comissário metropolitano de polícia, John Stevens. "Londres é uma capital, e todas as capitais estão em alerta". Apesar dos protestos e dos temores públicos, aliados dos EUA na Europa e Ásia expressaram forte apoio à campanha militar. Alemanha, Austrália, França, Canadá, Turquia e Holanda afirmaram que suas forças podem participar da campanha, enquanto líderes de Egito, China e África do Sul reiteraram seu apoio. Num esforço para acalmar manifestantes egípcios, o presidente Hosni Mubarak disse nesta terça-feira num discurso que havia recebido garantias do presidente Bush de que tudo seria feito para evitar vítimas civis no Afeganistão. Ele também vinculou a guerra liderada pelos EUA contra o terrorismo à questão israelense-palestina, dizendo que sua resolução "tem grande importância nos esforços para erradicar as raízes do terrorismo". Dúvidas sobre uma campanha mais ampla, denominada por autoridades americanas de uma segunda Guerra Fria, foram levantadas em diversas nações. Um alto oficial no Vietnã previu que os ataques aéreos não irão fazer curvarem-se nem Bin Laden nem o Taleban. "Apoio a luta contra o terrorismo, mas não... recorrendo à guerra, porque são os civis que mais sofrerão", disse Van Tien Dung, um dos principais generais da Guerra do Vietnã. A Coréia do Norte, outro país comunista, afirmou que a retaliação contra o governo do Afeganistão pode "lançar o mundo no holocausto da guerra". Alguns líderes árabes e muçulmanos advertiram os EUA para não estenderem os ataques a outros países, dizendo que qualquer ação militar contra uma nação árabe seria "inaceitável" e "teria sérias conseqüências". "Qualquer ataque militar contra qualquer país árabe levará a sérias conseqüências e será considerada uma agressão a todos os Estados árabes", afirmou o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa. Leia o especial

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