Hannah McKay/Reuters
Hannah McKay/Reuters

Ataques influenciam eleições, dizem estudos

Ações de terroristas podem afetar o voto, embora nem sempre favoreçam os partidos mais conservadores

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2017 | 05h00

GENEBRA - Ataques terroristas têm impacto em votações. Isso é o que revelam estudos de diferentes universidades e centros de pesquisas na Europa e EUA. Eles apontam, porém, que a relação entre ataques e comportamento de eleitores em direção a partidos mais conservadores é complexa e pode levar a surpresas. 

Na base de todos os estudos está a capacidade de o terrorismo causar pânico em um grande número de pessoas, principalmente em centros urbanos. O impacto, segundo psicólogos, vai além dos que foram alvos do ataque e pode ser registrado também numa comunidade inteira que se sente ameaçada. É essa insegurança que levaria a uma atitude que fugiria da lógica partidária. 

Um dos primeiros estudos a avaliar esta relação foi realizado pela Rand Corporation e pela Hebrew University. Depois de avaliar o impacto de atentados em 200 localidades de Israel, o estudo mostrou que um ataque causava uma mudança no padrão de votos de 1,3% em favor de partidos de direita. A pesquisa indicou ainda que as eleições de 1988 e 1996, em Israel, foram decididas por áreas afetadas por ataques. 

Outro estudo de 2015, da American University, também em Israel, apontou como partidos conservadores ganharam seis pontos porcentuais em locais que foram alvos de mísseis vindos de Gaza. 

A tendência à direita foi confirmada por outro especialista, Robb Willer, sociólogo da Universidade de Stanford. Em suas pesquisas, ele observou que “posições conservadoras em temas como defesa nacional são mais populares em períodos de ameaça terrorista”. Segundo ele, entre 2001 e 2004, nos EUA, o risco de um atentado fazia com que a popularidade de George W. Bush aumentasse.

Fora de Israel e EUA, outras pesquisas também mostram o mesmo impacto, mas nem sempre favorável à direita. Em 2004, três dias antes das eleições na Espanha, um ataque matou 192 pessoas em Madri. Em vez de confirmar o Partido Popular, de direita, no poder, houve uma mobilização de jovens contra o governo, que tentou responsabilizar o ETA. A tentativa de manipulação deu a vitória aos socialistas. 

Em estudo do ano passado, do departamento de psicologia política da Universidade de Maryland, pesquisadores mostraram que o impacto seria mais complexo do que a mera mudança de voto, mas os eleitores estariam mais dispostos a adotar posições mais extremistas. No estudo, foi constatado ainda que, ao sofrer um ataque, uma comunidade estaria mais propensa a aceitar regras não democráticas, em especial contra minorias vistas como ameaça. 

Tudo o que sabemos sobre:
LondresReino UnidoTerrorismoIsrael

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.