Ataques israelenses deixam 2 mortos

Aviões de combate israelenses dispararam mísseis e jogaram bombas contra instalações da segurança palestina na Cisjordânia e Faixa de Gaza, matando dois palestinos e ferindo mais de 150 num dos mais pesados ataques em 14 meses de confrontos. Três mísseis caíram nas proximidades do escritório do líder palestino Yasser Arafat, mas ele não foi ferido.Israel anunciou que estava enviando um claro sinal ao líder palestino de que haverá represálias ainda mais duras caso ele não reprima militantes que têm promovido ataques contra israelenses."O objetivo foi enviar uma clara mensagem militar... ´Amigos, já tivemos o suficiente, assumam a responsabilidade que têm e parem o terrorismo", afirmou o porta-voz do Exército israelense general de brigada Ron Kitrey.Os ataques aéreos foram uma resposta a atentados no fim de semana de militantes islâmicos contra israelenses que deixaram 26 mortos e cerca de 200 feridos. Kitrey disse hoje que foram atacadas instalações da Autoridade Palestina porque os quartéis-generais dos militantes islâmicos "são secretos e não podem ser atingidos neste tipo de ataque".Arafat, falando à CNN depois do ataque contra suas instalações em Ramallah, acusou o primeiro-ministro Ariel Sharon de tentar sabotar seus esforços para combater o terrorismo. A Autoridade Palestina já deteve cerca de 130 integrantes dos grupos militantes Jihad Islâmica e Hamas desde o fim de semana, e autoridades palestinas disseram que a busca iria continuar apesar dos ataques israelenses."Eles (os israelenses) não querem que eu tenha sucesso e por isso ele (Sharon) está promovendo uma escalada de suas atividades militares contra nosso povo, contra nossas cidades, contra nossas instituições", disse Arafat. "Ele não quer que um processo de paz tenha início".Israel tem dito que Arafat está detendo apenas ativistas secundários, e não os verdadeiros arquitetos dos atentados terroristas.O ataque israelense mais mortal hoje foi feito na Faixa de Gaza, onde aviões de combate F-16 jogaram três bombas que destruíram completamente um prédio do Serviço de Segurança Preventiva numa área residencial. As explosões lançaram destroços e estilhaços num amplo raio, e centenas de crianças que saíam de uma escola próxima fugiram em pânico.Médicos afirmaram que um garoto de 15 anos e um integrante do Serviço de Segurança Preventiva foi morto no ataque, e mais de 150 transeuntes ficaram feridos, entre eles dezenas de crianças. "Sharon declarou guerra contra nós. Que Deus nos ajude", disse Ayman Abdul Jawad, 13 anos, enquanto corria pelas ruas com amigos, com sangue escorrendo de sua cabeça.Ao todo, oito escritórios da segurança palestina foram atingidos - quatro na Cisjordânia e quatro na Faixa de Gaza. Três mísseis caíram a 50 metros do escritório de Arafat em seu complexo governamental na cidade de Ramallah, Cisjordânia. Um assessor de Arafat, Ahmed Abdel Rahman, disse que o líder palestino foi levado para um abrigo subterrâneo momentos antes do ataque, depois que seguranças perceberam os helicópteros de combate nos céus.Israel anunciou que Arafat não era o alvo do ataque de mísseis."Temos declarado publicamente que não pretendemos feri-lo pessoalmente", afirmou um assessor de Sharon, Danny Ayalon. "Mas desde que ele é responsável pela onda de terrorismo que está acontecendo, nós tínhamos de atingir algo próximo a ele pessoalmente".As represálias israelenses efetivamente confinaram Arafat em Ramallah. Mísseis israelenses destruíram três helicópteros de Arafat, e motoniveladoras do Exército inutilizaram a pista de pouso do Aeroporto Internacional de Gaza. Arafat não pode viajar por terra já que tropas israelenses estão cercando todas as cidades palestinas, impedindo que moradores entram ou saiam. Autoridades de Israel disseram que querem forçar Arafat a permanecer em sua posição para lidar com a crise, alegando que no passado ele muitas vezes partiu para viagens pelo mundo no momento em que deveria estar tratando de questões internas candentes.Depois de uma atribulada reunião na madrugada, o gabinete israelense decidiu na manhã de hoje declarar o governo de Arafat um apoiador do terrorismo. Assessores de Sharon afirmaram que a declaração visa aumentar a pressão sobre Arafat, mas não deveria ser vista como um sinal aberto de uma campanha total para derrubar a Autoridade Palestina.O governo também destacou duas organizações ligadas ao líder palestino e as rotulou de terroristas, responsáveis pela morte de dezenas de israelenses - a milícia Tanzim e a Força 17, um braço das forças de segurança palestinas. Três prédios da Força 17, dois em Gaza e um na Cisjordânia, foram atingidos hoje por mísseis israelenses.A decisão levou ministros do moderado Partido Trabalhista a abandonar em protesto a reunião do gabinete, e alguns líderes trabalhistas sugeriram que o partido pode sair da coalizão governista. Parlamentares do Partido Trabalhista irão discutir a questão amanhã numa reunião especial.O diário israelense Maariv escreveu num editorial que Sharon deveria ter dado alguns dias a Arafat "para provar se ele desta vez é sério... porque desta vez ele pode entender que não tem mais espaço para manobra".Um assessor de Arafat, Nabil Abu Rdeneh, disse que os ataques aéreos de Israel eram "uma verdadeira declaração de guerra contra o povo palestino e sua liderança e em particular contra o presidente Arafat". Abu Rdeneh pediu aos Estados Unidos para intervirem e evitar novos ataques de Israel.Entretanto, por enquanto Washington tem apoiado implicitamente Sharon, dizendo que Israel tem o direito de se defender.Em outra demonstração de solidariedade com Israel, a administração Bush congelou hoje ativos financeiros de organizações vinculadas ao Hamas. "A rede está apertando" ao redor daqueles que apóiam o terrorismo no mundo, afirmou George W. Bush nos jardins da Casa Branca. "Hoje ela apenas ficou mais apertada".Raanan Gissin, assessor de Sharon, aplaudiu a decisão. "Ela corta o cordão umbilical de grupos terroristas, reduzindo a habilidade deles de agir", considerou.Um líder do Hamas na Cisjordânia, Teissir Imran, negou que seu grupo recebe fundos do exterior. "O Hamas não recebe dinheiro de nenhuma instituição no mundo. O Hamas é financiado pelo povo palestino daqui, não por fundações baseadas na América ou em qualquer lugar do mundo".Desde que os confrontos tiveram início em setembro de 2000, 231 foram mortas no lado israelense e 794 no lado palestino.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.