Ataques matam 38 e enfurecem russos

Ataques matam 38 e enfurecem russos

Alerta. Governo promete 'destruir' autores de duplo atentado contra o metrô de Moscou; suspeitas recaem sobre radicais chechenos

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

O premiê Vladimir Putin e o presidente Dmitri Medvedev prometeram "destruir" os responsáveis pelo ataque duplo ao metro de Moscou, que matou ontem pelo menos 38 pessoas. Duas mulheres detonaram cinturões com explosivos em estações centrais da capital pela manhã, horário de pico do sistema de transporte. Autoridades e especialistas acusam rebeldes chechenos, mas nenhum grupo reivindicou a autoria dos atentados.

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mais imagensImagens dos atentados em Moscou

A primeira explosão ocorreu na estação Lubyanka, ponto de convergência de duas linhas do metrô, localizada a poucos quarteirões do Kremlin e do quartel-general do FSB, o serviço secreto russo. A militante teria detonado o cinturão-bomba momentos antes de as portas do vagão se abrirem. Com a explosão, 23 pessoas teriam morrido na hora.

Quarenta minutos depois, uma nova explosão atingiu a estação Park Kultury, perto do turístico Parque Gorki. Entre 12 e 14 pessoas teriam morrido na hora. Sobreviventes foram levados a hospitais da região - mais de cem ficaram feridos nas ações.

Testemunhas narraram momentos de pânico no metrô. Pessoas foram pisoteadas e as estações acabaram cobertas por uma fumaça densa. "Vi uma mulher carregando uma criança e clamando para que as pessoas a deixassem passar, mas era impossível", relatou Valentin Popov, estudante de 19 anos que estava em Park Kultury.

À agência de notícias russa RIA, um homem narrou o momento do ataque em Lubyanka: "Eu estava no meio do trem quando houve uma forte explosão no primeiro ou no segundo vagão. Senti ondas reverberarem por todo meu corpo."

O sistema de metrô de Moscou é o segundo maior do mundo, só perdendo para o de Tóquio. Milhões de moscovitas utilizam diariamente o metrô e, no momento dos ataques, 500 mil pessoas estavam nos trens.

A cifra de mortos divulgada até agora faz dos ataques duplos de ontem o atentado mais mortífero no metrô de Moscou desde 2004, quando 39 pessoas morreram em uma explosão.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que os responsáveis pelos atentados de ontem podem ter recebido ajuda de militantes localizados na fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

Temendo mais atentados, o governo russo elevou o nível de alerta em todo país.

Viúvas negras. Embora nenhum grupo tenha assumido a autoria dos ataques, cresce a suspeita de que ele tenha sido cometido por chechenos que lutam pela criação de um Estado independente no norte do Cáucaso.

No mês passado, Doku Umarov, líder jihadista da Chechênia, teria alertado para os atentados em comunicado. "O sangue não se limitará mais às nossas cidades (no Cáucaso). A guerra irá para as cidades deles."

Analistas afirmam que os ataques de ontem teriam a marca das chamadas "viúvas negras", grupo de militantes formado, em sua maioria, por mulheres que perderam maridos e parentes na dura repressão de Moscou na região separatista. Elas se vestem de preto e usam cinturões-bomba em suas ações.

As "viúvas negras" ganharam notoriedade em 2002, quando participaram do sequestro de um teatro em Moscou - tragédia que deixou 165 mortos. O grupo integrou os militantes que atacaram em 2004 uma escola em Beslan, matando 334. "Mulheres suicidas são uma espécie de assinatura dos militantes chechenos", disse à CNN o consultou Will Geddes. / AP, AFP E REUTERS

PONTOS-CHAVE

Tragédia no teatro

Em outubro de 2002, 50 militantes chechenos fizeram 850 reféns no Teatro Dubrovk de Moscou. Soldados usaram um agente químico para tentar neutralizar terroristas. 165 morreram

Ataque ao metrô

O maior ataque ao metrô de

Moscou ocorreu em fevereiro de 2004 (foto), quando suicidas

chechenos mataram 39 pessoas. A carga utilizada na explosão equivalia a quatro quilos de TNT

Escola de Beslan

Em setembro de 2004, 334 pessoas, na maioria crianças, morreram depois que dezenas de militantes chechenos fizeram 1.400 reféns numa escola de Beslan (foto), Ossétia do Norte.

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