Todd Heisler/The New York Times
Todd Heisler/The New York Times

Ataques mudaram políticas e visão sobre imigração

Antes com expectativa de reforma ampla, o tema passou a ser tratado como questão de segurança nacional e ligado ao terrorismo

Renata Tranches, O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2016 | 06h00

Os ataques do 11 de Setembro mudaram definitivamente como os americanos lidam com imigração, tanto nas políticas de governo como na sociedade. Esse reflexo se mantém 15 anos depois, mas não reduziu o número dos que migram para os EUA.

O setor foi um dos que mais sofreram impacto. O que antes era um tema de agenda doméstica passou a ser tratado como questão de segurança nacional, com mudanças drásticas nas políticas de governo. 

Além disso, um sentimento islamofóbico associado aos ataques – com discurso apoiado no combate à doutrina extremista religiosa da Al-Qaeda – passou a afetar os imigrantes de todas as religiões e etnias, com medidas como a militarização das fronteiras e discursos políticos radicais, segundo o estudo Linking Immigration and Terrorism in the Post-9/11 Era, divulgado nos EUA recentemente. 

Quatro dias antes dos ataques, o então presidente do México, Vicente Fox, falara a uma sessão conjunta do Congresso americano defendendo uma ampla reforma migratória nos EUA com leis para facilitar a vida dos mexicanos a ter acesso ao mercado de trabalho americano. O diretor do escritório do Migration Policy Institute na Escola de Direito da Universidade de Nova York, Muzaffar Chishti, lembrou que essa era a expectativa da época, a de uma ampla reforma. 

“Após o 11 de Setembro, a perspectiva para isso acontecer foi completamente eliminada e nenhuma medida sequer foi apresentada até 2006. Esse foi o primeiro impacto”, afirmou ele, em entrevista ao Estado. 

Em seguida, explicou, o assunto passou a ser visto sob o prisma da segurança nacional. Um Departamento de Segurança Nacional foi criado para coordenar 18 agências que antes não se falavam. O banco de dados criminal e o migratório passaram a ser compartilhados e policiais locais e estaduais passaram a atuar quase como agentes de imigração. 

“Se você estiver em qualquer cidade dos EUA, fizer uma conversão errada no trânsito e chamar a atenção de um policial local, ele pode rapidamente levantar seu histórico migratório”, explicou Chishti. Ele pondera que apesar de toda a preocupação com segurança, não houve diminuição dos que chegam ao país. 

Do discurso conciliatório de Fox, a fronteira do México com os EUA passou a ser usada como uma fragilidade e fonte para oportunismo eleitoral, como no caso de Donald Trump, prometendo “consertar o problema” com duras medidas, afirmou ao Estado Luis A. Romero, do Departamento de Sociologia da Universidade do Texas. Ele e Amina Zarrugh, do mesmo departamento, são coautores do estudo sobre imigração e terror. 

Amina, por sua vez, explica que desde 2001, terrorismo e imigração passaram a ser invocados juntos. “Quando fazem sugestões sobre políticas imigratórias, os políticos sempre citam a possibilidade de novos ataques terroristas”, reforça. 

 

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