ERIC GAILLARD|REUTERS
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Ataques na França põem em xeque futuro de Schengen

Fato de terroristas terem saído do bloco europeu, se radicalizado na Síria e voltado levanta dúvidas sobre livre movimentação

Andrei Netto, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2015 | 09h57

PARIS - Os atentados do dia 13 em Paris ameaçam a existência, nos moldes atuais, do Espaço Schengen, área de livre circulação de pessoas que completou 20 anos. Os ataques à capital da França provaram que terroristas procurados e perigosos e homens condenados pela Justiça podem entrar e sair do bloco sem que sejam importunados.

A impaciência com a falta de fronteiras na área de 26 países na qual vivem 420 milhões de pessoas já vinha crescendo em países como a Grã-Bretanha.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, transformou a crítica à imigração e à livre circulação em um de seus cavalos de batalha contra a União Europeia.

Até os atentados de Paris, a rejeição a Schengen se limitava aos britânicos e a partidos nacionalistas de extrema direita, como a Frente Nacional, da família Le Pen. Os 130 mortos e mais de 350 feridos da capital francesa, no entanto, levaram até quem defende a área de livre circulação a pedir mais controle.

Esse foi o caso do primeiro-ministro da França, Manuel Valls, que na quinta-feira deixou clara a impaciência do Palácio do Eliseu com as falhas de segurança cometidas no interior do Espaço Schengen. “Que cada um assuma suas responsabilidades e coloque meios consideráveis, como nós estamos fazendo, para assegurar o controle de fronteiras.”

Alertas. A advertência francesa leva em consideração as primeiras conclusões das investigações sobre os atentados de Paris. Pelo que o Polo Antiterrorista do Ministério Público já sabe, o mentor dos ataques à capital, o belga Abdelhamid Abaaoud, 28 anos, morto na quarta-feira em uma operação policial, não apenas deixou a Bélgica em direção aos campos de treinamento do grupo terrorista Estado Islâmico na Síria sem ser importunado, como também retornou ao coração da Europa Ocidental após ser condenado à revelia pela Justiça de seu país e protagonizar vídeos e reportagens de propaganda jihadista.

Outro exemplo das falhas de segurança foi o retorno de Samy Amimour, francês de 28 anos radicado na Bélgica. Condenado em 2012 por “associação ao terrorismo”, ele passou a ser monitorado pela Justiça. Nem isso o impediu de viajar para a Síria, receber treinamento em campos jihadistas e retornar à Europa, mesmo com um mandado internacional de prisão já emitido.

“Schengen virou uma passarela para terroristas”, advertiu Alain Juillet, ex-diretor da Direção Geral de Segurança Exterior (DGSE), o serviço secreto externo da França. “Schengen é formidável para pessoas normais, mas tornou-se uma passarela quando lidamos com terrorismo e movimentos criminosos importantes.”

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