Ahmed Gomaa/AP
Ahmed Gomaa/AP

Ataques no Egito abalam esperança de melhora para moradores de Gaza

Única passagem da Faixa de Gaza para o Egito foi fechada após a morte de 16 policiais egípcios

Reuters,

08 de agosto de 2012 | 14h40

GAZA - Isolados em casa e no exterior, sem combustível e preocupados com a fome. Não era isso que os habitantes de Gaza esperavam quando o líder islâmico Mohamed Morsi foi eleito presidente do Egito, em junho.

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O Egito fechou sua única área de trânsito de passageiros para a Faixa de Gaza e lacrou túneis de contrabando que ligam os dois territórios depois que militantes não identificados mataram 16 policiais egípcios na vizinha península do Sinai, no domingo. O grupo Hamas, governante islâmico de Gaza, descartou a hipótesesde de que palestinos armados participaram do massacre no Sinai, e criticou o governo do Egito pela imposição de "punição coletiva" sobre o empobrecido enclave costeiro.

Mas como Egito não mostra nenhum sinal de que vai ceder, milhares de palestinos se viram presos durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã, enquanto os comerciantes alertam para o risco de escassez se os túneis continuarem fechados. "Tínhamos grandes esperanças de poder viajar mais livremente, e nós realmente notamos uma melhora no tratamento quando atravessamos para o Egito", disse Tareq Al-Husary, 32 anos, um pintor de Gaza que está em uma peregrinação à Arábia Saudita com sua mãe doente. "Agora estamos abandonados fora de Gaza", disse ele, falando por telefone.

Habitada por 1,7 milhão de pessoas, a Faixa de Gaza tem estado sob embargo acirrado desde que o Hamas assumiu o controle do território, em 2007. O Hamas é profundamente hostil a Israel, e o ex-líder egípcio Hosni Mubarak ajudou a impor o embargo para bloquear os aliados islâmicos de seus inimigos internos.

Desde a queda de Mubarak no ano passado, o Egito afrouxou as restrições à passagem dos viajantes por meio de Rafah, única janela para o mundo da grande maioria dos habitantes de Gaza, já que Israel recusa vistos de saída, exceto para alguns casos especiais.

O fechamento abrupto de Rafah, onde normalmente passam cerca de 800 pessoas por dia, deixou muitos palestinos em visita temendo por seus empregos no exterior, enquanto outros receiam que seus vistos possam expirar antes de ser usados.  "Eu ainda espero ser capaz de voltar para Dubai antes de 15 de agosto para retomar meu trabalho", disse Heyam Al-Kurdi, que é professora em Dubai e veio a Gaza para o casamento de sua filha.

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