Ataques preocupam famílias de vítimas dos atentados

Não há explosão de alegria, nem mesmo um silencioso sentimento de vingança. Com as forças dos EUA finalmente atacando os terroristas que assassinaram seu marido, Christie Coombs está mais preocupada do que nunca com o seu futuro e de seus filhos. "Nós estávamos preocupados sobre como seriam nossas vidas sem o meu marido. Agora, estamos preocupados sobre como será a vida de todas as pessoas neste país. Meus filhos temem uma guerra mundial", disse a viúva de Jeffrey Coombs, de Abington, Massachusetts. O marido dela, um analista de sistema de 42 anos da Compaq Computer Corp., morreu a bordo de um dos aviões seqüestrados que partiram de Boston e se chocaram contra as torres do World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro. Ao mesmo tempo em que elogiam a campanha militar norte-americana, alguns parentes das vítimas dos ataques terroristas daquele dia estão hoje cheios de apreensão e dúvidas. As forças norte-americanas encontrarão as pessoas certas? Os terroristas retaliarão? Nossas crianças irão à guerra? Teremos mais vítimas civis, aqui, de propósito, ou lá, por engano? Janet Flyzik, de Parsonfield, Maine, não endossa uma retaliação rápida, mesmo que sua filha de 40 anos, Carol, de Plaistow, New Hampshire, tenha morrido no mesmo avião que Coombs. No entanto, ela ficou feliz quando a ação militar finalmente começou. "Acho que as pessoas têm que ser responsabilizadas por seus atos e precisam ser levadas à Justiça", disse ela. "Se não fizermos isso, todos continuaremos a viver com medo". A viúva de Coombs também anseia por justiça, embora ela não tenha certeza de que seria correto alcançá-la com a morte nas mãos das forças norte-americanas. Ao mesmo tempo, ela se preocupa com os civis afegãos. Ao matá-los, "ficaríamos no mesmo nível" que os terroristas e os governos que os protegem, disse Christie. Donna Teepe, também uma viúva do 11 de setembro, está preocupada com o filho. Aos 22 anos, ele é grande o bastante para servir o exército. Caso isso aconteça, ela teme o fato de como a sua vida poderá mudar por causa dos ataques norte-americanos contra os terroristas. "Sim, precisamos fazer alguma coisa para que essas pessoas não controlem nossas vidas", disse ela. "Mas também não quero uma situação na qual meu filho de 22 anos e outros garotos partam para lutar". O marido de Donna, Karl W. Teepe, um funcionário civil do Pentágono, morreu quando o prédio foi atacado. Mais enfática, Harriet Fuller, de Framingham, Massachusetts, afirma que as forças dos EUA devem eliminar os terroristas a qualquer custo. "Tenho certeza de que um monte de gente pensa que eles devem seguir em frente, de qualquer forma, e pegar aqueles caras. De certa maneira, eu também sinto-me assim", disse ela, cuja filha Meta Waller morreu durante o atentado ao Pentágono. Leia o especial

Agencia Estado,

09 Outubro 2001 | 17h52

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.