Ataques são apenas a primeira etapa, afirma governo britânico

O governo britânico ressaltou hoje que os ataques militares contra o Afeganistão realizados até o momento representam apenas o primeiro passado numa longa campanha de combate terrorismo internacional. "Os ataques aéreos tiverem o impacto planejado no Taleban, mas estamos conscientes de que os nossos objetivos no Afeganistão não serão atingidos de um dia para o outro", disse hoje o porta-voz do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, num encontro com correspondentes estrangeiros na capital britânica, que contou com a participação da Agência Estado. "Essa será uma campanha de longa duração, que apenas foi iniciada." Pressão O governo britânico afirmou que os ataques realizados até o momento no Afeganistão "dificultaram as operações de Osama bin Laden, colocaram pressão sobre o regime do Taleban e conquistaram supremacia aérea sobre o país." O porta-voz de Blair assinalou que o objetivo da atual campanha militar será o de possibilitar o estabelecimento de um "governo no Afeganistão que represente todos os setores do país". Ele frisou, no entanto, que a decisão final sobre o destino político do país caberá exclusivamente ao povo afegão. O porta-voz evitou também comentar sobre os possíveis alvos futuros da ofensiva militar. Ao longo dos últimos dias cresceram os rumores de que o Iraque poderia ser um desses alvos. "A nossa campanha será feita passo a passo e não vamos especular sobre isso", disse. Ele negou também que Blair "tenha assinado um cheque em branco" para o presidente norte-americano George W Bush. "Quem vem afirmando isso está completamente equivocado", afirmou. "Todas as ações futuras, a exemplo das que já foram implementadas, serão baseadas no consenso da coalizão." Viagem secreta Tony Blair, em seus esforços para consolidar o apoio internacional à ação militar, está hoje no Egito reunido com o presidente Hosni Mubarak. A viagem do primeiro-ministro está sendo marcada por um forte esquema de segurança. A imprensa britânica decidiu aceitar um pedido do governo e não está divulgando quais os países que o primeiro-ministro vai visitar nos próximos dias. A visita ao Egito foi anunciada publicamente apenas na manhã de hoje. Segundo o porta-voz, Blair e Mubarak estão avaliando a situação no Afeganistão e discutindo formas para "revigorar o processo de paz no Oriente Médio". Blair conversou também nas últimas horas com o líder palestino, Yasser Arafat, sobre o tema. Propaganda A iniciativa dos principais assessores de Blair, de estabelecerem uma reunião semanal com jornalistas estrangeiros baseados em Londres, algo inédito durante a atual administração, indica a preocupação do governo britânico de reforçar a tese de que a ofensiva militar contra o Afeganistão é resultado de "uma ampla coalizão internacional" e não apenas uma iniciativa isolada feita em parceria com os Estados Unidos. Segundo um assessor do ministério da Defesa, cerca de quarenta países já estão colaborando com a ofensiva militar. Esses países autorizaram o trânsito de tropas em seus territórios, a aterrissagem de aeronaves e estão partilhando informações de seus serviços de inteligência. Segundo analistas, o governo britânico também está preocupado com a possibilidade de que ao longo do conflito comecem a surgir rachaduras no apoio doméstico e externo à iniciativa, ainda mais se ocorrem grandes perdas humanas. As antigas regras que norteiam os ´briefings" concedidos a jornalistas na residência oficial do primeiro-ministro, em Downing Street, determinam que as autoridades entrevistadas não podem ser identificadas. Leia o especial

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