Sabawoon Amarkhil/AFP
Sabawoon Amarkhil/AFP

Ataques suicidas e operação da Otan matam pelo menos 40 no Afeganistão

Incidentes tornaram esta quarta-feira, 6, dia mais sangrento para civis desde dezembro de 2011

Efe,

06 de junho de 2012 | 10h15

CABUL - Pelo menos 40 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em dois ataques suicidas e em uma operação da Otan nesta quarta-feira, 6, no Afeganistão, o que transformou este dia num dos mais sangrentos para os civis nos últimos anos no país.

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O incidente de maior gravidade ocorreu por volta das 11h local (3h30 de Brasília) nos arredores da cidade de Kandahar, onde insurgentes detonaram explosivos num mercado próximo ao aeroporto, informaram fontes oficiais.

Um terrorista detonou bombas que carregava numa motocicleta e quando as pessoas se aproximaram para ver que tinha ocorrido, outro suicida provocou uma segunda explosão, explicou à Agência Efe o governador provincial, Toryalai Wisa.

O governador informou que 22 civis morreram e 50 pessoas ficaram feridas, algumas delas em estado grave.

O chefe da polícia provincial, Rahmatula Itrafi, disse à agência de notícias "AIP" que oito das vítimas fatais eram vigilantes de uma companhia privada de segurança.

O Taleban reivindicou a autoria do atentado e um de seus representantes assegurou à Efe que na ação morreram 17 soldados da missão da Otan no Afeganistão (Isaf). A Aliança Atlântica desmentiu a informação. "A explosão ocorreu a vários quilômetros de distância da instalação militar utilizada pela Isaf no aeroporto de Kandahar e nunca poderia ter ferido as tropas que trabalham no local", afirmou a Otan por meio de um comunicado.

A província de Kandahar, especialmente sua capital, é considerada reduto espiritual do movimento fundamentalista talibã, que surgiu nesta região em meados dos anos 1990.

Horas antes do ataque em Kandahar, outros 18 civis -incluídos mulheres e crianças- morreram numa operação conjunta de tropas afegãs e da Otan na província de Logar.

O chefe da polícia provincial, Ghulam Sakhi Rogh Liwanai, disse à Efe que as vítimas moravam numa casa da cidade de Sajawand que foi atacada de madrugada por forças aliadas sob a suspeita de que servia de refúgio de um dirigente talibã identificado como Qari Sardar. De acordo com a fonte, a Isaf empregou força aérea na operação armada, na qual morreram além disso doze insurgentes e ficaram feridos três soldados do contingente internacional.

Um porta-voz da Isaf, o tenente James Williams, reconheceu a existência do ataque, mas afirmou não poder confirmar a morte de civis durante a operação.

O principal porta-voz talibã, Zabiula Mujahid, negou que um líder insurgente morasse no local. "Não temos nenhum dirigente com o nome de Qari Sardar. O inimigo tem por costume matar civis e depois dizer que eram talibãs", disse.

Na guerra do Afeganistão, que já dura mais de uma década, desde a invasão dos EUA no final de 2001, os civis ficaram muito vulneráveis às ações de ambos os lados. O número de civis mortos em 2011 (3.021) foi o mais elevado desde que há cinco anos a missão da ONU no Afeganistão (Unama) começou a registrar este tipo de dado.

Apesar disso, a Unama informou recentemente que o número de vítimas civis no conflito diminuiu 21% no primeiro quadrimestre de 2012 em relação ao mesmo período do ano anterior. O organismo atribuiu 79% das vítimas às ações perpetradas pelos grupos insurgentes e 12% às forças de segurança afegãs e internacionais.

A última jornada mais sangrenta para os civis no Afeganistão ocorreu em dezembro de 2011, quando um duplo atentado suicida matou 62 pessoas em Cabul e em Mazar-e-Sharif. Em setembro de 2009, um bombardeio da Isaf próximo da cidade de Kunduz causou a morte de mais de 70 civis.

As tropas da Otan começaram em julho o processo de retirada gradual do Afeganistão e a transferir as tarefas de segurança às forças do país, o que deverá ser concluído até 2014.

 

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