Ataques suicidas mataram 218 em um mês no Paquistão

Entre 4 de julho e 4 de agosto aconteceram 14 atentados contra 13 do período entre 1º de janeiro e 3 de julho

06 de agosto de 2007 | 03h47

Pelo menos 218 pessoas morreram e 305 ficaram feridas no último mês no Paquistão durante a onda de ataques suicidas que seguiu à operação do Exército contra a Mesquita Vermelha de Islamabad, segundo um relatório oficial. Um documento do Ministério do Interior assinala que entre 4 de julho e 4 de agosto aconteceram quatorze atentados suicidas, nos quais perderam a vida 83 membros do Exército, 68 Policiais e 65 civis. Entre 1º de janeiro e 3 de julho - o dia em que se lançou a chamada "Operação Silêncio" contra os radicais da Mesquita Vermelha -, houve no Paquistão doze ataques suicidas que mataram 75 pessoas, informa o documento. Nos meses de março, abril e maio houve três atentados suicidas, enquanto no mês de junho não houve nenhum. No entanto, um dia depois do lançamento da "Operação Silêncio", em 4 de julho, houve um ataque suicida no Waziristão do Norte contra um comboio militar no qual morreram onze pessoas, entre eles seis soldados. O relatório afirma que desde o assalto à Mesquita Vermelha, considerada um ninho de radicais em pleno coração de Islamabad, os membros do Exército e da polícia se transformaram no principal alvo dos terroristas. "Em uma rápida reação à operação da Lal Masjid (Mesquita Vermelha), aconteceram ataques suicidas contra o pessoal das forças de segurança em todo o Paquistão; na capital, Islamabad, na Província da Fronteira do Noroeste, nas Áreas Tribais e em outras zonas do país", assinala o documento do Interior. Também destaca que a velocidade dos ataques e a diversidade de lugares nos quais ocorreram mostram um alto nível de preparação e planejamento, além de um alto grau de radicalização. "Significativamente, enquanto houve 12 ataques suicidas no Paquistão entre 1º de janeiro e 3 de julho (...), se produziram 14 ataques só entre 4 de julho e 4 de agosto", assinala o relatório. No dia 13 de julho, o presidente paquistanês, o general Pervez Musharraf, instou publicamente às tropas militares da Província da Fronteira do Noroeste a não usar uniformes em público para evitar reações violentas de extremistas islâmicos. A operação contra a Mesquita Vermelha de Islamabad, onde vários radicais islâmicos estavam entrincheirados, causou mais de 100 mortes, segundo números oficiais, e provocou fortes críticas de diferentes setores islâmicos do Paquistão. O clérigo que dirigia o templo, o "maulana" Abdul Aziz, chamou os radicais à jihad (guerra santa) contra o governo de Musharraf quando ocorreu o assalto.

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