Ataques suicidas no Iêmen deixam pelo menos 50 mortos

Ataques suicidas no Iêmen deixam pelo menos 50 mortos

Um deles teve como alvo uma reunião de xiitas rebeldes na capital do país, Sanaa

Estadão Conteúdo

09 de outubro de 2014 | 10h06

Dois ataques suicidas foram realizados nesta quinta-feira no Iêmen, deixando pelo menos 50 mortos, informaram autoridades. Um deles teve como alvo uma reunião de xiitas rebeldes na capital do país, Sanaa, e o outro atingiu um posto militar avançado no sul.

Pelo menos 30 pessoas morreram quando um suicida detonou os explosivos que levava junto ao corpo em Sanaa, tendo como alvo uma reunião de partidários dos houthis, grupo rebelde xiita que tomou a capital durante uma ofensiva no mês passado.

Antes de detonar os explosivos, o homem-bomba se misturou aos manifestantes nas primeiras horas do dia, quando eles se preparavam para um evento da rua Tahrir, disseram agentes de segurança e funcionários de hospitais, sob condição de anonimato.

O segundo ataque aconteceu no subúrbio da cidade portuária de Mukalla, província de Hadarmout, no sul do país. Um homem jogou o carro que dirigia contra o posto avançado de segurança, matando pelo menos 20 soldados e ferindo 15, disseram autoridades.

Hadarmout é um dos vários redutos do braço iemenita da Al-Qaeda, considerada por Washington a mais perigosa ramificação da rede terrorista.

Nenhum grupo havia assumido a responsabilidade pelos ataques, mas eles têm características das ações da Al-Qaeda, que há anos realiza atentados suicidas contra tropas do Exército, agentes de segurança e instalações do governo.

Em Sanaa, os mortos e feridos foram levados a três hospitais. Seis crianças estavam em estado grave. No local da explosão, na rua Tahrir, havia poças de sangue no chão enquanto voluntários recolhiam pedaços de corpos.

Na semana passada, a Al-Qaeda no Iêmen advertiu que atacaria os houthis e convocou os sunitas do país a cerrar fileiras e lutar contra os rebeldes xiitas.

Os houthis convocaram o evento na capital iemenita nesta quinta-feira para protestar contra a escolha do presidente Abed Rabbo Mansour Hadi de entregar o cargo de primeiro-ministro para Ahmed Awad bin Mubarak. A crise se intensificou a tal ponto que o premiê designado pediu a Hadi na manhã desta quinta-feira que o liberasse do cargo.

Apesar do atentado suicida e da saída de Bin Mubarak da chefia do governo, o evento aconteceu mais tarde, reunindo cerca de 4 mil houthis que pediram a renúncia de Hadi e gritavam palavras de ordem contra os Estados Unidos e a Arábia Saudita.

O líder rebelde Abdel-Malik al-Houthi fez uma declaração, transmitida pela televisão na noite de quarta-feira, convocando seus partidários a se reunirem nesta quinta-feira contra e escolha de Bin Mubarak. Ele disse que seu grupo ficou surpreso com a nomeação, afirmando que ela aconteceu depois de Hadi ter se reunido com o embaixador norte-americano no Iêmen. Al-Houthi disse que Hadi é uma "marionete" nas mãos de poderes estrangeiros.

"A flagrante interferência estrangeira é uma forma de contornar a revolução popular", declarou.

Os houthis tomaram o controle de Sanaa no mês passado, mas um acordo intermediado pela Organização das Nações Unidas (ONU) conseguiu encerrar os combates nas ruas da capital. A tomada de Sanaa pelos houthis aconteceu após semanas de protestos de seus partidários na capital com o objetivo de fazer pressão para um maior compartilhamento de poder e uma troca no governo.

O acordo de 21 de setembro estabeleceu a indicação de um novo chefe de governo e a saída de houthis armados da cidade. Fonte: Associated Press.

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