Ataques terroristas deixam cerca de 170 mortos na Índia

Oito explosões abalaram o sistema ferroviário de Mumbai, a capital financeira da Índia, no horário de rush desta terça-feira, deixando cerca de 170 mortos e 439 feridos, informaram autoridades indianas. As principais cidades do país entraram em alerta após os ataques, que segundo o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, seriam parte de um bem coordenado atentado terrorista. Fontes de inteligência citadas pelo jornal The Times of Índia informaram que o atentado foi provacado por grupos terroristas ligados aos separatistas islâmicos da Caxemira. A região, de maioria muçulmana, é marcada por disputas entre separatistas pró-Paquistão e o governo indiano (leia mais nos links ao lado). O atentado desta terça-feira foi o mais violento ataque contra Mumbai desde 1993, quando bombas espalhadas em vários pontos da cidade deixaram 257 vítimas fatais. O Paquistão condenou os ataques.Após as explosões, o caos tomou conta das linhas de trem de Mumbai, responsáveis pelo transporte de 6 milhões de pessoas por dia, enquanto as autoridades lutavam para determinar um número exato de mortos e feridos. Com 16 milhões de habitantes, Mumbai é a maior cidade da Índia.Enquanto a contagem dos mortos crescia ao longo da noite, autoridades davam versões diferentes - e as vezes conflitantes - sobre o incidente.Citado pela Associated Press, o governador do Estado em que Mumbai está localizada, Vilasrao Deshmukh, disse que as explosões foram causadas por bombas, e deixaram 147 mortos e 439 feridos. O número exato de mortos, no entanto, permanece incerto. De acordo com a agência de notícias Reuters, este total passava de 160. Já na contagem da rede de TV cabo americana CNN, 174 pessoas morreram no incidente.Deshmukh também corrigiu as primeiras versões sobre o número de bombas utilizadas no atentado, que inicialmente foram reportadas como sendo sete. De acordo com ele, oito artefatos foram usados, dois na mesma estação. Gabinete de emergênciaO primeiro-ministro, Manmohan Singh, convocou um gabinete de emergência, e disse que "terroristas" estão por trás do atentado. Segundo o ministro de Interior, Shivraj Patil, as autoridades tinham "algumas" informações de que um ataque ocorreria, "mas o lugar e a hora ainda eram incertos".Com a notícia das explosões, agentes de segurança indianos iniciaram uma série de operações por todo o país para procurar os suspeitos. Segundo uma rede de TV local, um homem foi detido em Nova Deli.As explosões ocorreram horas depois que extremistas islâmicos realizaram uma série de ataques com granadas na principal cidade da Caxemira indiana. Oito pessoas morreram.A força das explosões destruiu portas e janelas dos vagões, enquanto o metal retorcido das composições era tingido pelo sangue das centenas de vítimas. Sobreviventes improvisavam curativos com pedaços de pano para estacar os machucados.Nos hospitais, a situação não era menos assustadoras. Médicos apelaram para que os cidadãos doem sangue para as ajuda às vítimas.Com curativos sujos de sangue sobre os olhos, um homem implorava para que uma enfermeira ligasse para sua mulher para dizer que ele estava bem."Eu não consigo escutar nada", disse Shailesh Mhate, uma rapaz de 20 anos que descansava no chão do Hospital de Veena Desai. "As pessoas que estavam próximas a mim morreram. Não sei como eu não morri", dizia ele.Vagões de primeira classeAs bombas foram detonadas em estações de trem de Mumbai, no oeste da Índia, no horário em que os trens estavam mais lotados. Todas as explosões ocorreram em vagões de primeira classe, num sinal de que os atacantes tinham por objetivo atingir a classe profissional da cidade que é o orgulho das ambições indianas para o século 21. A primeira bomba atingiu um trem na estação de Bandra, às 18h20 (horário local), e foi seguida por explosões nas estações de Khar, Jogeshwari, Mahim, Mira, Matunga e Borivili.Com a divulgação da notícia do atentado, Mumbai viveu momentos de pânico. Em poucos minutos, o sistema de telecomunicações da cidade entrou em colapso. Com o sistema ferroviário da cidade parado, milhões de pessoas não puderam voltar para casa, gerando preocupação entre familiares e sobrecarga na rede de telefonia.Texto atualizado às 22h15

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