AP Photo/Sunday Alamba, File
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Até 75 mil crianças podem morrer na Nigéria nos próximos meses, diz ONU

Organização estima que 14 milhões de pessoas - das 26 milhões afetadas pelo Boko Haram - precisarão de ajuda humanitária no próximo ano; Unicef diz que 400 mil crianças sofrem de desnutrição severa

O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2016 | 10h49

LAGOS, NIGÉRIA - Até 75 mil crianças podem morrer de fome na Nigéria nos próximos meses em razão da fome e da falta de recursos para o envio de ajuda humanitária para as cidades da região nordeste do país, controlada pelos extremistas do Boko Haram, alertou na terça-feira, 15, a ONU.

De acordo com a organização, 14 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária nas regiões controladas pelos jihadistas. "No próximo ano, 26 milhões de pessoas serão afetadas pela crise em andamento no país e 14 milhões delas precisarão de ajuda internacional", disse Peter Lundberg, coordenador de ajuda humanitária das Nações Unidas para a Nigéria.

Lundberg afirmou que pelo menos 75 mil crianças "morrerão nos próximos meses se não fizermos algo rapidamente e de forma séria". O número reforça a estimativa da Unicef feita em setembro, que também revelou que 400 mil crianças com menos de cinco anos sofrem de má-nutrição severa no país nos três Estados controlados pelos insurgentes.

Situação crítica. De acordo com a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), milhares de crianças já estão morrendo por fome e doenças na região controlada pelo Boko Haram. A organização cobra que o governo nigeriano para de negar que há uma crise humanitária e tome medidas para impedir novas mortes.

De acordo com a MSF, duas pesquisas em campos de refugiados no país mostraram uma redução de 25% na quantidade de crianças com menos de 5 anos, o que poderia ser entendido como a taxa de mortalidade nessa faixa etária.

"Nós só localizamos crianças mais velhas. Não há crianças com pouca idade brincando com seus irmãos. Não há bebês sendo carregados nas costas das mães", afirmou Natalie Roberts, gerente do programa de emergência da MSF para o nordeste da Nigéria.

Natália afirmou que a suposta taxa de mortalidade entre as crianças de até 5 anos nestas regiões já seria mais do que o dobro para declarar uma emergência, de acordo com padrões intencionais. / REUTERS e AP

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