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Até a Antártida registra casos de covid-19

Continente era o único que não tinha reportado contágios; vírus infectou funcionários de base chilena

Isabella Kwai / The New York Times, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2020 | 20h27

A Antártida, o último continente que ainda estava livre do novo coronavírus, registrou nesta semana 36 casos de covid-19. Todos os infectados são de uma base chilena de pesquisa na região, informou a imprensa local.

O vírus infectou 26 militares e 10 funcionários da manutenção da Base General Bernardo O’Higgins Riquelme, na Península Antártida, informaram as autoridades em nota divulgada pelo site 24 Horas. Segundo as autoridades chilenas, os testes foram aplicados depois que muitos passaram a desenvolver sintomas.

De acordo com veículos de comunicação chilenos, os infectados integravam um grupo de 60 pessoas que foram levadas da base para a cidade chilena de Punta Arenas, no fim de semana e, desde então, estão isoladas. Também foram encontrados três casos em tripulantes de um navio da Marinha do Chile que voltava do continente, informou o jornal La Prensa Austral. O Exército chileno e o Instituto Antártico Chileno não responderam aos pedidos de informação sobre o assunto.

A Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos disse ter conhecimento de relatos de casos de vírus entre passageiros que teriam desembarcado nos portos de Punta Arenas e Talcahuano do navio da Marinha do Chile Sargento Aldea, que viajava perto da estação O’Higgins.

“O pessoal das estações do Programa Antártico dos EUA não teve nenhuma interação com as estações chilenas em questão ou com o pessoal que reside lá”, disse uma porta-voz, acrescentando que a fundação “continua comprometida em não trocar funcionários ou aceitar turistas” nas estações americanas.

O continente conseguiu ficar nove meses, desde o começo da pandemia, sem notificações da doença. Pelo menos 1 mil pessoas passaram pelo inverno sem sol na Antártida, que abriga em torno de 40 bases, de acordo com a agência Associated Press. Quem chegar ao continente vai ser colocado em quarentena e será obrigado a fazer testes com frequência. As estações de pesquisa no continente são pequenas, com pessoas vivendo em contato próximo, e o movimento geralmente se intensifica no verão austral, que começou em novembro, quando novos suprimentos e pesquisadores chegam ao continente – na mesma época, outros partem de lá.

A pesquisa e o turismo no continente já foram severamente reduzidos, e os especialistas dizem que os efeitos colaterais da pandemia provavelmente terão um impacto mais longo na governança e nas viagens à Antártida. 

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