Até aliados hesitam no apoio a Obama

Dois democratas indicaram que votarão contra controle do uso de armas e quatro estão indecisos

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2013 | 02h07

A dificuldade para a Casa Branca ver aprovada no Congresso a mais importante medida de controle de uso de armas, a proibição da venda de fuzis de assalto, já é visível pela resistência de parlamentares de sua base democrata em votar a favor.

A grande maioria dos republicanos rejeita antecipadamente a medida, que não será tramitada com urgência na Câmara por determinação de seu presidente, o também oposicionista John Boehner.

O fim da venda dessas armas e a restrição do acesso a munições de alto calibre foram os principais tópicos de um pacote elaborado pelo vice-presidente dos EUA, Joe Biden, e anunciado na quarta-feira pelo presidente Barack Obama. Ambas as iniciativas vigoraram entre 1996 e 2006. Outras 23 medidas serão adotadas por meio de decreto presidencial.

Em artigo escrito para um jornal de Connecticut, o Estado onde ocorreu o massacre de 20 crianças e 6 adultos em uma escola primária, em dezembro, Obama pediu aos congressistas que aprovem com rapidez ambas as medidas.

"Vamos continuar a pressionar para adotar toda essa agenda do presidente", completou ontem o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

"O pacote não tem nada a ver com tirar as armas de quem as possui legalmente", defendeu o prefeito da Filadélfia, Michael Nutter, durante a Conferência de Prefeitos dos EUA. "Respeitamos a Segunda Emenda, mas o direito de possuir uma arma de fogo não deve interferir no meu direito à vida", completou, referindo-se à regra constitucional que permite aos americanos portar armas.

As medidas que dependem do Congresso já foram apresentadas na forma de projeto de lei da senadora democrata Dianne Feinstein, da Califórnia. Mas pelo menos dois de seus colegas de partido anteciparam o voto contrário e outros quatro estão indecisos. Os democratas que se opõem à medida são os senadores Mark Begich, do Alasca, e Mark Pryor, do Arkansas.

O senador esquerdista Al Franken, de Minnesota, ainda não decidiu se apoia a proibição da venda de fuzis, embora defenda a medida para munições. "Muitas pessoas concordam que eu não preciso de uma recarga com 30 balas para matar um veado", afirmou.

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