Até onde Kadafi está disposto a ir para manter-se no poder

Os ditadores do mundo árabe não são iguais. O pior de todos é Muamar Kadafi, da Líbia. Ele não pode ser comparado ao egípcio Hosni Mubarak, ao tunisiano Zine el-Abidine Ben Ali, ao rei Abdullah II da Jordânia ou ao sírio Bashar Assad. O líbio é uma figura psicótica e assassina mais próxima de um genocida como o iraquiano Saddam Hussein, que manda assassinar seus opositores sem nenhum pudor. Seus hábitos extravagantes e excêntricos vão da enfermeira ucraniana, que o acompanha em todas as viagens, às tendas "cinco estrelas" que ele gosta de montar nas cidades que visita. Seu discurso na ONU em 2009 foi um dos episódios mais patéticos da história da organização, depois de a prefeitura de Nova York ter-se recusado a autorizar a instalação da tenda no Central Park.

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2011 | 00h00

Pelo seu temperamento, é de se supor que Kadafi matará o número de opositores que for necessário para tentar conter os levantes. O líder líbio, que apoiou publicamente atentados terroristas nos anos 80, não tem nenhum temor da Justiça internacional. Ele sobreviveu a embargos e bombardeios americanos. Vai massacrar seu povo sob o argumento de que enfrenta uma guerra civil patrocinada por forças estrangeiras, conforme disse seu filho Saif. A situação na região é tensa. O Bahrein ruma para uma guerra civil entre sunitas e xiitas. O Iêmen corre o risco de se transformar em uma Somália piorada. Já a Líbia pode caminhar para um massacre de sua própria população.

É CORRESPONDENTE EM NOVA YORK

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