Até republicanos criticam novo plano de Bush para o Iraque

O plano do presidente George W. Bush de enviar mais 21.500 soldados americanos ao Iraque (onde já há cerca de 140 mil) atraiu grande oposição da maioria democrata no Congresso e de alguns republicanos nesta quinta-feira, enquanto funcionários do governo tentaram vender a idéia a uma cética nação. Uma pesquisa divulgada pela AP-Ipsos indicou que 70% dos americanos se opõem ao envio de mais soldados ao Iraque e uma porcentagem similar acredita que esse aumento de tropas não ajudará a estabilizar o país. Como parte dos esforços para promover seu plano, Bush visitou nesta quarta-feira Fort Benning, na Geórgia, base de uma das brigadas que serão enviadas ao Iraque. Horas antes, o presidente se emocionou e derramou algumas lágrimas durante uma cerimônia na Casa Branca para a entrega de uma Medalha de Honra aos pais do marine Jason Dunham, que morreu em 2005, aos 22 anos, na explosão de uma granada quando tentava salvar companheiros no Iraque. "Neste momento, é imperativo que não fracassemos no Iraque", disse a secretária de Estado, Condoleezza Rice, ao Comitê de Relações Exteriores do Senado. Mas, pouco antes, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, declarou: "Ao escolher a escalada da guerra, o presidente fica virtualmente sozinho." Reid disse que convocará uma votação simbólica para expressar a desaprovação à nova estratégia. Mas o líder republicano do Senado, Mitch McConnell, ameaçou obstruir a votação. Os democratas têm uma pequena vantagem (51 cadeiras a 49) no Senado e precisariam de 60 votos para superar as táticas republicanas de obstrução.Por sua vez, o senador democrata Russ Feingold pediu ao Congresso que vete o financiamento para o aumento de tropas: "O Congresso pode usar seu poder para pôr fim a nosso envolvimento nessa desastrosa guerra. É hora de usar a força do dinheiro para tirar nossas tropas do Iraque." Bush pedirá ao Congresso que aprove, em meio ao orçamento fiscal de 2007, US$ 5,6 bilhões para custear o reforço militar e US$ 1,2 bilhão para um programa de ajuda, criação de empregos e reconstrução.As críticas não partiram apenas dos democratas. O deputado republicano Ric Keller, fiel partidário de Bush, disse que três anos atrás teria concordado com o plano do presidente, mas não agora. "Neste estágio, sujeitar mais jovens soldados americanos aos tiroteios da guerra civil iraquiana não é a abordagem correta", disse Keller à Câmara de Representantes. "Não resolveremos um problema político iraquiano com uma solução militar americana."Em um discurso de 20 minutos na noite de quarta-feira, Bush fez uma incomum admissão de culpa, ao dizer que houve erros na estratégia adotada anteriormente. Visivelmente tenso, Bush declarou que um recuo agora forçaria o colapso do governo iraquiano. "Nesse cenário, nossas tropas seriam forçadas a ficar no Iraque ainda mais tempo e a enfrentar um inimigo ainda mais mortífero", afirmou. Ele disse que se os EUA ajudarem os iraquianos a romper o círculo de violência, apressarão o dia em que os soldados começarão a voltar para casa.Esforço iraquianoO primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, prometeu liderar a nova operação de segurança em Bagdá e agir não só contra os insurgentes sunitas, mas também contra as milícias ligadas a seus aliados xiitas. Segundo Bush, as restrições do governo iraquiano à missão americana em Bagdá foram uma das causas do fracasso.Muitos no Iraque manifestaram ceticismo em relação ao plano de Bush, enquanto outros disseram ser bem-vindo qualquer esforço para conter a carnificina. Sadiq al-Rikabi, um assessor de Maliki, saudou a nova estratégia, mas destacou que o governo iraquiano precisa ter a liderança na ação militar. "O fracasso no Iraque não afetará apenas este país, mas também o restante da região e o mundo, incluindo os EUA", disse Rikabi. Um deputado sunita rejeitou o plano e disse que, em vez de enviar mais tropas, os EUA deveriam marcar a data para a retirada de seus soldados.A chanceler britânica, Margaret Beckett, disse que o novo plano mostra que o governo Bush está determinado a lidar com a situação no país árabe. Mas Beckett deixou claro que a Grã-Bretanha não enviará mais soldados ao Iraque.

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