Atenas vive dia de funeral e novos confrontos

Manifestantes e policiais se enfrentam em frente ao Parlamento na capital grega.

Da BBC Brasil, BBC

09 de dezembro de 2008 | 16h00

Manifestantes e policiais gregos entraram em confronto pelo quarto dia consecutivo nesta terça-feira em Atenas, durante o funeral do adolescente Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, morto por um policial no sábado.Os confrontos desta terça-feira se concentraram em frente ao Parlamento, na capital grega, depois que centenas de jovens manifestantes se uniram a um protesto pacífico e começaram a jogar pedras e garrafas contra as fileiras da polícia de choque, que guardava o prédio.A manifestação havia sido organizada por professores, alunos e pais. As escolas foram fechadas nesta terça-feira, e os manifestantes realizaram uma marcha pacífica em direção ao Parlamento com uma faixa em que se lia "Assassinos, o governo é o culpado".Com a adesão dos jovens manifestantes, o protesto se tornou violento, e a polícia respondeu com bombas de gás lacrimogêneo.FuneralO funeral do jovem morto foi acompanhado por milhares de pessoas, muitas delas carregando flores brancas, no bairro de Paleo Faliro, no sul de Atenas.A cerimônia transcorreu calmamente, mas há registros de pequenos confrontos entre jovens do lado de fora do cemitério.A morte de Grigoropoulos, no sábado, provocou uma onda de protestos que já deixou centenas de prédios depredados e dezenas de pessoas feridas. Bancos, lojas, hotéis, veículos e latas de lixo foram incendiados, e até uma árvore de Natal gigante instalada na praça central de Atenas foi destruída.Também houve protestos violentos em várias outras cidades, como Rhodes, Creta, Piraeus, Corfu e Tessalônica.Dois policiais foram acusados de conexão com a morte do jovem, mas as autoridades ainda esperam os resultados de um exame que vai determinar a trajetóia da bala que matou Grigoropoulos.O policial que atirou afirma que deu um tiro de advertência e que a bala teria ricocheteado e atingido o adolescente.No entanto, testemunhas disseram a uma emissora de televisão grega que o tiro tinha o jovem como alvo.GovernoOs protestos provocados pela morte do jovem levaram a oposição a pedir que o governo renuncie.O primeiro-ministro grego, Costas Karamanlis, realizou nesta terça-feira uma reunião de emergência com o presidente, Karolos Papoulias, e com líderes da oposição em busca de um consenso. O partido de Karamanlis tem maioria de apenas um assento no Parlamento.O primeiro-ministro pediu unidade e afirmou que agirá com firmeza contra os manifestantes violentos."Ninguém tem o direito de usar esse incidente trágico como desculpa para atos de violência", disse Karamanlis."Nesse momento crítico, o mundo político deve se unir e condenar aqueles responsáveis por esse desastre, e isolá-los", afirmou.No entanto, depois da reunião, o líder socialista George Papandreou, da oposição, disse que os gregos perderam a confiança no governo conservador."A única coisa que esse governo pode oferecer é renuncias e deixar que o povo dê seu veredicto", afirmou Papandreou.Greve geralO ministro do Interior, Prokopis Pavlopoulos, disse que o governo não vai tolerar a violência, e dezenas de pessoas já foram presas desde o início dos confrontos.Até o momento, porém, os apelos de calma têm sido ignorados pela maioria dos jovens manifestantes, e ainda não há um plano claro do governo para conter a violência.Segundo o correspondente da BBC em Atenas, Malcolm Brabant, a polícia parece incapaz de conter os protestos violentos.Alguns analistas afirmam que o governo poderá decretar estado de emergência, o que daria às autoridades poderes especiais para tirar os manifestantes das ruas.A onda de violência agravou o descontentamento popular com a situação econômica da Grécia, que apresenta baixo crescimento e altos níveis de desemprego.Nesta quarta-feira, uma greve geral para pressionar o governo por reformas deve ser realizada no país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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