Atenta à primavera árabe, China censura chamados por 'revolução'

Pelo menos seis pessoas foram detidas após tentativas de protestos em Pequim e Xangai

Associated Press,

20 de fevereiro de 2011 | 10h23

PEQUIM - Temerosos de um eventual levante popular, nos moldes da onda de protestos que abala o mundo árabe, autoridades chinesas entraram em alerta neste domingo, 20, após a circulação de uma misteriosa convocação online para uma "Revolução Jasmin" no país asiático. Ativistas foram presos, o número de policiais nas ruas foi reforçado e alguns serviços de SMS, suspensos. Posts que divulgavam os protestos em Pequim, Xangai e outras 11 cidades foram censurados na internet.

 

Embora a campanha não tenha ganhado musculatura entre os cidadãos comuns, policiais prenderam ao menos três pessoas que caminhavam para o ponto de encontro, numa das ruas mais movimentas de Pequim. Em Xangai, outras três pessoas foram detidas após, aparentemente, tentarem chamar a atenção dos transeuntes.

 

Os ativistas afirmaram desconhecer quem organizou a campanha, e não sabiam ao certo como responder à convocação, que circulou inicialmente no sábado, 19, no Boxun.com - serviço de notícias em mandarim baseado nos Estados Unidos.

 

A notícia apócrifa convocava uma "Revolução Jasmin" - mesmo nome atribuído ao movimento que depôs o regime autocrático da Tunísia em janeiro -, e urgia as pessoas a "ter responsabilidade pelo futuro". Os manifestantes eram instruídos a gritar "queremos comida, queremos trabalho, queremos habitação, queremos prosperidade" - slogan que sublinha reclamações comuns entre os chineses.

 

O chamado provavelmente elevou a ansiedade do regime comunista chinês, que teme que os protestos no Egito, Tunísia, Bahrein, Iêmen, Argélia e Líbia inspirem movimentos semelhantes no país. Nas últimas semanas, autoridades limitaram a veiculação de reportagens sobre a situação nesses países.

 

Em um discurso para governos locais, no sábado, o presidente Hu Jintao determinou que sejam resolvidos "problemas que possam afetar a estabilidade de nossa sociedade".

 

A filtragem e o monitoramente da internet impediu que a maioria dos chineses tomassem conhecimento do chamado para os protestos. O site Boxun.com, por exemplo, está bloqueado, assim como o Twitter e Facebook, ferramentas fundamentais nos protestos que derrubaram o regime egípcio. No entanto, alguns usuários conseguem escapar desse bloqueio.

 

Uma pessoa que acompanhou o breve protesto em Pequim disse ver a iniciativa como um "exercício prático". "Muitas pessoas aqui são usuárias do Twitter e vieram para ver, como eu", disse Hu Di, de 42 anos. "Na verdade, não houve muita organização, mas é uma chance para nos conhecermos. Estamos nos preparando para o futuro."

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