Atentado a bomba contra ex-ministro de Uribe mata 2 e fere 39 na Colômbia

Um atentado a bomba matou ontem 2 pessoas e deixou 39 feridas em Bogotá. Autoridades locais disseram que, aparentemente, o artefato foi detonado no interior de um ônibus público sem passageiros. O alvo do ataque seria Fernando Londoño, ex-ministro do Interior do governo de Álvaro Uribe. Ele foi um dos feridos. Seu motorista e um segurança morreram.

BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2012 | 03h01

O general Luis Eduardo Martínez, comandante da Polícia Metropolitana de Bogotá, atribuiu o atentado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Ninguém mais seria capaz disso. Temos os elementos para dizer o que estamos dizendo", disse.

Foi o pior atentado em Bogotá desde a explosão de uma bomba na casa noturna El Nogal, em fevereiro de 2003, que matou 36 pessoas e deixou mais de 200 feridos. O ataque de ontem ocorreu horas depois de o esquadrão antibomba ter desativado 38 quilos de explosivos no porta-malas de um táxi encontrado na capital.

Segundo a polícia, eles seriam detonados por celular. Autoridades colombianas afirmaram que o carro-bomba também foi trabalho das Farc, que pretendiam explodi-lo diante das instalações da Polícia Metropolitana de Bogotá. O motorista do carro foi preso e levado para interrogatório.

Ex-ministro. Políticos, analistas e investigadores lembraram também que um dos motivos dos ataques pode ser o Tratado de Livre Comércio entre Colômbia e EUA, que entrou em vigor na segunda-feira, após três anos de muitas negociações.

Algumas horas após a explosão, o governo anunciou que daria uma recompensa de 100 milhões de pesos (cerca de US$ 55 mil) para quem desse informações confiáveis a respeito dos autores do atentado.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, foi um dos primeiros a dizer que a ação era contra Londoño, de 78 anos, que atualmente é diretor de uma rádio e colunista dos jornais El Tiempo e El Colombiano.

"Acabo de saber que Londoño sofreu um atentado. Felizmente, seu estado de saúde é estável, mas, infelizmente, morreram seu motorista e um policial que fazia parte de seu esquema de segurança", disse Santos.

"Quero condenar da forma mais enérgica possível esse atentado. Não entendemos seu propósito", afirmou Santos. Em seguida, o presidente ressaltou que não descansará enquanto não descobrir os responsáveis pelo "ataque terrorista".

Às 11 horas (13 horas de Brasília), Londoño estava em um carro blindado na Avenida Caracas, esquina com a Rua 74, uma movimentada área do norte de Bogotá e muito próxima do centro financeiro da cidade, quando o ônibus, que estava sem passageiros, explodiu.

O ex-ministro teria saído do carro ensanguentado, mas caminhando sozinho. Ele foi levado para uma clínica particular da capital para tratar ferimentos na cabeça e no tórax, mas não corre risco de morrer.

A explosão arrasou completamente o ônibus e o carro de Londoño, destruiu parcialmente outros oito veículos, danificou diversos prédios e deixou um rastro de confusão e caos na capital. Várias ambulâncias e carros dos serviços de emergência tiveram dificuldades para resgatar os feridos da nuvem de fumaça que subiu. A polícia isolou o local. As aulas nas várias universidades localizadas na região foram canceladas e Santos cancelou a viagem que faria a Cartagena.

A Avenida Caracas corta a capital. Por ela, passa o Transmilenio, sistema articulado de transporte público formado por ônibus. Aparentemente, a bomba explodiu no interior de um deles, depois que o veículo parou em um semáforo ao lado de uma loja de ferragens.

Reação. Os EUA condenaram imediatamente o atentado em Bogotá. "Nada justifica o assassinato de pessoas inocentes", afirmou William Ostick, porta-voz do Departamento de Estado americano. "Continuamos a apoiar o esforço colombiano para combater o terrorismo." / AFP REUTERS e AP

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