Atentado a bomba em Karachi mata 25

Movimento radical ligado ao Taleban assume autoria de ataque contra delegacia

, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2010 | 00h00

KARACHI, PAQUISTÃO

Um carro-bomba explodiu ontem diante de uma delegacia no centro da cidade de Karachi, a maior do Paquistão, destruindo parte do prédio de dois andares, matando ao menos 25 pessoas e ferindo outras 100.

A explosão, que ocorreu às 20 horas locais, estremeceu a área de alto nível de segurança de Karachi, onde ficam o consulado dos EUA, dois hotéis de luxo e escritórios do governo, mostrando a capacidade de ataque dos extremistas, apesar dos esforços para contê-los. "O número de mortos deve aumentar, pois há muitos feridos em estado grave", disse a porta-voz do governo provincial, Sharmila Farooqi.

Militantes armados abriram fogo contra o Departamento de Investigação Criminal antes de detonar o carro-bomba, disse o ministro de Interior da Província de Sindh, Zulfiqar Mirza. O prédio tem algumas celas onde criminosos e militantes estariam detidos. "Suspeitamos que o atentado tenha sido cometido por um suicida", disse o policial Javed Akbar Riaz.

Segundo a mídia paquistanesa, o movimento Tehrik-i-Taleban do Paquistão (TTP), que reúne várias facções do Taleban, reivindicou a autoria do atentado. O departamento é o responsável pela ofensiva contra os terroristas em Karachi. No início da semana, a agência prendeu seis membros do grupo radical islâmico Lashkar-i-Jhangvi.

A explosão foi ouvida a vários quilômetros de distância, destruiu boa parte do prédio da delegacia, atingiu várias casas das imediações e deixou uma cratera de 12 metros de largura e 2 de profundidade. O consulado americano, que fica a 1,5 quilômetro de distância, não foi afetado.

Imagens de TV mostravam pessoas ensanguentadas deixando o local do ataque e policiais vasculhando entre os destroços em busca de vítimas. Um fotógrafo da agência de notícias Reuters viu dezenas de motocicletas destruídas, vidraças destruídas em um raio de 2 quilômetros de distância, além de duas crianças feridas sendo retiradas do local. Em meio a uma multidão de curiosos, os socorristas gritavam Allah-u-Akbar (Deus é Grande) ao retirar um sobrevivente coberto de pó entre os escombros.

Combate. O Paquistão vem combatendo militantes islâmicos ligados à Al-Qaeda e ao Taleban que tentam depor o governo pró-EUA. Nos últimos três anos, os insurgentes atacaram repetidamente alvos da polícia, do governo e ocidentais em várias cidades.

Karachi, capital da Província de Sindh, é considerada o centro financeiro do Paquistão. Também conta com o porto mais importante do país, usado pela Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan) para abastecer os 150 mil soldados comandados pelos EUA que combatem o Taleban no vizinho Afeganistão.

Nos últimos meses, Karachi foi cenário de vários assassinatos políticos e ataques contra minorias étnicas. Em outubro, pelo menos dez pessoas morreram na cidade em um duplo atentado suicida contra um templo sufi, uma corrente mística e moderada com forte presença no Paquistão que se opõe à versão ortodoxa dos extremistas islâmicos sunitas. / AP, REUTERS e AFP

PARA ENTENDER

Grupos radicais declaram jihad ao Paquistão

Desde julho de 2007, após a ofensiva das forças paquistanesas contra a Mesquita Vermelha, em Islamabad, e os radicais islâmicos que ali estavam entrincheirados, o Paquistão vem sofrendo uma onda de sangrentos atentados (mais de 400, muitos deles suicidas), que deixaram mais de 3.800 mortos.

A maior parte dos atentados é atribuída aos taleban paquistaneses e a seus aliados. Os taleban, fiéis à rede Al-Qaeda de Osama bin Laden, declararam uma jihad (guerra santa) contra o governo do Paquistão por seu apoio à luta contra o terrorismo liderada pelos Estados Unidos.

As zonas tribais do noroeste do Paquistão, que ficam na fronteira com o Afeganistão e têm elevado grau de autonomia, converteram-se no principal reduto de militantes do Taleban e da Al-Qaeda. Frequentemente aviões não tripulados dos EUA lançam mísseis contra supostos esconderijos de extremistas islâmicos, muitas vezes matando também civis paquistaneses.

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