AFP PHOTO / SALAH HABIBI
AFP PHOTO / SALAH HABIBI

Atentado a museu na Tunísia termina com ao menos 21 mortos

Ataque demorou cerca de 3 horas até a polícia matar dois atiradores; 17 turistas estrangeiros estão entre os mortos

O Estado de S. Paulo

18 Março 2015 | 09h34

(Atualizada às 17h30) TÚNIS - Homens armados atacaram nesta quarta-feira, 18, o complexo do Parlamento da Tunísia, que inclui o Museu do Bardo. Pelo menos 21 pessoas morreram, sendo 17 turistas estrangeiros, dois tunisianos e dois atiradores, segundo o governo tunisiano. 

O primeiro-ministro Habib Essid afirmou que outros dois ou três atiradores podem ter fugido do local. Segundo o jornal New York Times, citando fontes oficiais, um terceiro atirador foi detido pela polícia, mas não há informações sobre sua identidade. 

De acordo com a estação de rádio Mosaique, homens vestidos com fardas militares chegaram ao local por volta do meio-dia (horário local) e começaram a atirar, fazendo visitantes de reféns. A imprensa local afirma que mais de 200 turistas estavam no museu no momento do ataque.

A ação ocorreu em um dia que navios cruzeiros pararam em Túnis e centenas de turistas desceram para visitar a capital da Tunísia. Cinco ônibus de agências turísticas estavam estacionados perto do museu, uma das principais atrações da cidade, que conta a história do país e abriga uma das maiores coleções de mosaicos romanos do mundo.

A empresa Costa Cruzeiros confirmou que alguns de seus passageiros estavam em excursão na cidade quando ocorreu o atentado. "Quando o comando do navio foi informado, logo chamamos as excursões de volta para a embarcação", informou a empresa, em um comunicado.

Os atiradores atiraram contra um dos ônibus, matando sete turistas e uma funcionária tunisiana, afirmou o porta-voz do Ministério do Interior, Mohammed Ali Aroui. Em seguida, eles seguiram em direção ao Parlamento - que fica no mesmo complexo do museu - onde estava sendo discutida a legislação anti-terrorismo. 

A polícia local atirou contra os atiradores, que correram para o museu e fizeram entre 20 e 30 reféns. O atentado durou cerca de três horas, quando a polícia conseguiu entrar e libertar os reféns. Um policial tunisiano morreu na ação. Ao menos 50 pessoas ficaram feridas.

Esse é o pior ataque contra estrangeiros no país desde 2002. Segundo o governo tunisiano, estrangeiros da Polônia, Espanha, Alemanha, Itália e Colômbia estão entre as vítimas.

O tiroteio fez as comissões parlamentares suspenderem as reuniões e os deputados foram obrigados a concentrarem-se no em uma sala da Assembleia, afirmou a deputada islamita Monia Brahim à AFP. O governo confirmou que o prédio foi esvaziado por questões de segurança. 

Essid prometeu aumentar a segurança em pontos turísticos do país enquanto líderes mundiais condenaram o ataque e ofereceram apoio ao governo tunisiano. "Todos os tunisianos devem estar unidos depois deste ataque, que teve como objetivo destruir a economia tunisiana", disse o premiê, se referindo ao fato de o país tentar se reerguer por meio do turismo.

A comissária de Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, afirmou que "organizações terroristas" estavam por trás do ataque. "A UE está determinada a mobilizar todas as ferramentas que tem para apoiar totalmente a Tunísia na luta contra o terrorismo."

O governo espanhol confirmou que dois cidadãos do país estão entre os mortos. A Itália afirmou que três italianos morreram e seis ficaram feridos. 

EI. Uma especialista em extremismo afirmou nesta quarta-feira, 18, que contas no Twitter ligadas ao grupo Estado Islâmico (EI) estão elogiando o atentado contra o Museu Nacional do Barso.

Rita Katz, do grupo SITE, disse que as contas postam mensagens comemorando o ataque e "chamando os tunisianos a seguir seus irmãos". 

O atentado é um golpe para o país que depende muito do turismo europeu e foi praticamente poupado de grandes episódios de violência militante desde sua rebelião de 2011 para depor o autocrata Zine El-Abidine Ben Ali.

O levante tunisiano inspirou a chamada "Primavera Árabe" na vizinha Líbia e no Egito, na Síria e no Iêmen, mas a adoção de uma nova Constituição e a realização de eleições essencialmente pacíficas angariaram elogios generalizados e contrastaram com o caos que tomou conta destes países.

As autoridades não identificaram de imediato os atiradores, mas vários grupos militantes islâmicos emergiram na Tunísia desde o levante e as autoridades estimam que cerca de três mil tunisianos se juntaram aos combatentes do EI no Iraque e a Síria, o que despertou temores de que possam voltar e realizar atentados em casa. / AP, AFP, NYT e REUTERS

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