Atentado ajudaria McCain, diz assessor

Desautorizado pelo candidato republicano, estrategista Charlie Black pede desculpas, mas democratas denunciam ?política do medo?

Reuters, Washington, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2008 | 00h00

Charlie Black, um dos mais importantes assessores do senador John McCain, candidato republicano à presidência dos EUA, disse à revista Fortune que um ataque terrorista ao país, como o de 11 de setembro de 2001, ajudaria McCain. "Seria uma grande vantagem para ele", afirmou Black, em referência ao fato de ser a segurança nacional o ponto forte da plataforma do republicano. Black foi mais longe e afirmou que o assassinato da ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto, em dezembro, ajudou McCain nas primárias de Iowa e New Hampshire, no início de janeiro. As declarações, postas no site da revista na segunda-feira, pegaram o candidato de surpresa. "Se ele disse isso, lamento, mas tenho de discordar veementemente", afirmou McCain. Ontem, Black pediu desculpas: "Foi inadequado." Apesar das desculpas, o candidato democrata à presidência, Barack Obama, criticou o adversário. Obama disse que as declarações evidenciam a tática dos republicanos de recorrer ao que os democratas chamam de "política do medo". A campanha de McCain, no entanto, não deu sinais de que vá demitir o assessor. Muitos analistas dizem que a relutância se deve ao fato de o candidato republicano, ainda que de modo sutil, estar promovendo exatamente essa idéia.Após o assassinato de Benazir, às vésperas das primárias de Iowa, McCain afirmou que o fato "reforçava suas credenciais" de política externa. "Eu já fui ao Paquistão. Conhecia Benazir e conheço o presidente (Pervez) Musharraf. Posso telefonar para ele a qualquer hora", disse McCain na ocasião.A polêmica envolvendo o assessor de McCain é o caso mais recente numa série de pequenos escândalos que movimentaram a campanha presidencial. No ano passado, questionado sobre o programa nuclear iraniano, o candidato republicano respondeu parodiando uma música dos Beach Boys cujo refrão é "bomb, bomb, bomb Iran" ("bombardeie, bombardeie, bombardeie o Irã".Assim que garantiu a nomeação do partido, em março, McCain foi acusado de ter tido um caso extraconjugal com uma lobista. Em março, durante visita ao Iraque, afirmou que o Irã, xiita, treinava membros da Al-Qaeda, sunita, no Iraque - ele foi corrigido na hora pelo senador Joe Lieberman. Há duas semanas, durante discurso na Cúpula Nacional dos Pequenos Negócios, em Washington, nova gafe. McCain trocou a palavra "bill" (projeto de lei, em inglês) por "beer" (cerveja): "Usarei o veto quando necessário. Vetarei cada cerveja, digo, lei." Críticos dizem que ele tem dificuldade para ler o teleprompter. Obama também tem uma coleção de tropeços. Além de ter de distanciar-se de seu ex-pastor Jeremiah Wright, autor de sermões racistas, o democrata demitiu um assessor que garantiu ao cônsul do Canadá que seu discurso contra o Nafta - acordo de livre comércio dos EUA com canadenses e mexicanos - era apenas jogo de cena. Pouco antes das prévias da Pensilvânia, em abril, Obama causou mal-estar entre os eleitores do Estado ao dizer que os operários de cidades pequenas apelavam para armas e religião em tempos difíceis. Por fim, no início do mês, na reta final das primárias, ele disse que já tinha percorrido 57 Estados americanos e ainda faltava mais um. Posteriormente, Obama atribuiu a gafe ao desgaste da campanha. O país tem 50 Estados.VISITAA campanha de McCain anunciou ontem que ele pretende visitar a Colômbia em julho. Com a viagem, o republicano quer demonstrar apoio ao combate às drogas e ao tratado de livre comércio entre os dois países.

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