Atentado ameaça reconciliação de facções no Líbano

O primeiro-ministro do Líbano, Fuad Siniora, pediu calma aos líderes hoje, um dia depois do primeiro assassinato político no país em meses. O assassinato do xeque druso Saleh Aridi, um importante membro do Partido Democrático Libanês, ocorreu menos de uma semana antes de negociações pela reconciliação de facções libanesas e ameaça os esforços para o entendimento.Aridi morreu ontem, em sua vila de Baissour, na região montanhosa de maioria drusa a leste de Beirute. Uma bomba havia sido colocada sob seu carro e foi detonada por controle remoto. Seis outras pessoas ficaram feridas.Foi a primeira morte do tipo desde a realização de um acordo mediado por nações árabes em maio, após ocorrerem confrontos sectários entre militantes do grupo xiita Hezbollah e facções sunitas e drusas pró-governo. O pacto permitiu a eleição de um novo presidente, Michel Suleiman, e a formação de um gabinete de unidade nacional.Políticos interpretaram o atentado como uma iniciativa destinada a reacender a violência entre rivais na instável região de maioria drusa. Essa área é controlada por duas facções drusas - o Partido Democrático Libanês, liderado por Talal Arslan, e o Partido Socialista Progressista, de Walid Jumblatt. Os Drusos são uma pequena e fechada ramificação do Islã, com comunidades no Líbano, na Síria e em Israel. Eles estão entre os fundadores históricos do Líbano.As duas facções drusas se mantêm em lados opostos em relação à Síria. Arslan é um aliado do Hezbollah, apoiado pela Síria, enquanto Jumblatt é um importante líder do campo anti-Síria. Porém os dois grupos haviam se aproximado nos últimos meses, em grande parte graças à mediação de Aridi.O Hezbollah atribuiu o ataque a Israel e qualificou o ato como "contra a paz civil e a construção de uma nação libanesa". Já o ministro de Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moallem, condenou o ataque em uma entrevista coletiva em Roma. Ele qualificou-o como um "ato criminoso", e demonstrou a "firme condenação" do governo sírio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.