REUTERS/Feisal Omar
REUTERS/Feisal Omar

Atentado com caminhões-bomba deixa ao menos 275 mortos na Somália

Ataque é o pior já ocorrido na história do país com base no balanço de mortos, que ainda pode aumentar

O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2017 | 12h24
Atualizado 15 Outubro 2017 | 23h42

MOGADÍSCIO - Um atentado com dois caminhões-bomba cometido no sábado 14 na capital da Somália, Mogadíscio, matou ao menos 275 pessoas. Nesse que foi o ataque mais violento da história do país outras 300 pessoas ficaram feridas e o número de mortos pode aumentar. Nenhum grupo reivindicou a autoria da ação, mas as suspeitas das autoridades recaiam sobre o grupo jihadista Al-Shabab.

Os hospitais, com escassez de medicamentos e sangue, ficaram superlotados de feridos. Os caminhões foram posicionados em um cruzamento movimentado do distrito comercial de Hodan, que abriga muitas empresas e hotéis. Os mais atingidos foram o Safari Hotel e um movimentado mercado da cidade. Segundo a imprensa somali, a maioria dos mortos era de civis, principalmente vendedores ambulantes.

Segundo o comandante policial Ibrahim Mohamed, a maioria dos corpos ficou carbonizada ao ponto de se tornar “irreconhecível”. “É muito difícil ter um número preciso (de mortos) porque os corpos foram levados a diferentes centros médicos, e alguns foram retirados por seus parentes para o enterro”, disse Mohamed, que considerou esse o “pior atentado” da história da Somália.

“O que vi nos hospitais que visitei é indescritível. Continuamos encontrando corpos e peço a todos que ajudem. As pessoas estão em uma situação difícil”, declarou o prefeito de Mogadíscio, Tabid Abdi Mohamed. O presidente somali, Mohamed Abdullahi Mohamed, visitou neste domingo, 15, o hospital Erdogan, onde os médicos afirmaram ter recebido 205 pessoas, mais de 100 delas com ferimentos graves. Abdullahi Mohamed decretou três dias de luto após o ataque.

“Um atentado horrível foi cometido pelos shebab contra civis inocentes e não estava dirigido contra autoridades do governo somali. Isto mostra a falta de piedade desses elementos violentos, atacar sem distinção pessoas inocentes”, afirmou o presidente em um discurso.

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O Safari Hotel é um estabelecimento popular, mas não utilizado com frequência por funcionários do governo. As autoridades ainda não sabem se o alvo era especificamente o hotel. Os shebab já atacaram hotéis onde funcionários do governo estavam hospedados.

Nenhum grupo havia reivindicado o ataque, mas os rebeldes shebab, embrião da Al-Qaeda, executam com frequência ataques suicidas em sua luta contra o governo somali, que é respaldado pela comunidade internacional.

Os shebab querem derrubar o frágil governo central somali, apoiado pela comunidade internacional e por 22 mil soldados da União Africana (UA).

Eles foram expulsos da capital da Somália há seis anos por tropas somalis e da UA. Com o passar dos anos, perderam o controle das principais localidades do sul do país. Mas os rebeldes continuam controlando as zonas rurais e realizam ataques contra os militares, o governo e alvos civis, assim como ataques terroristas no Quênia.

União.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou o atentado e pediu ao país que se una contra o terrorismo. Em um comunicado, Guterres pediu “a todos os somalis que se unam à luta contra o terrorismo e o extremismo violento e trabalhem lado a lado na construção de um Estado funcional e inclusivo”.

O chefe da ONU enviou suas condolências às famílias afetadas e desejou uma pronta recuperação aos feridos, ao mesmo tempo que elogiou os serviços de emergência e os habitantes de Mogadíscio por sua mobilização para atender as vítimas. / EFE, AP e AFP 

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