EFE/Hedayatullah Amid
EFE/Hedayatullah Amid

Atentado com caminhão-bomba deixa ao menos 90 mortos e mais de 400 feridos em Cabul

Realizada no mês do Ramadã, explosão provocou muitos danos na região afegã; autoria da ação ainda não foi reivindicada

O Estado de S.Paulo

31 Maio 2017 | 01h49
Atualizado 31 Maio 2017 | 15h20

CABUL - Ao menos 90 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas em um atentado com caminhão-bomba nesta quarta-feira, 31, em um bairro de Cabul, em meio ao Ramadã, mês de jejum sagrado para os muçulmanos.

"Lamentavelmente o balanço subiu para 90 mortos e mais de 400 feridos, incluindo mulheres e crianças", disse o porta-voz do Ministério da Saúde, Waheed Majroh. Os números podem ser ainda maiores, já que os serviços de resgate ainda estão retirando corpos dos escombros.

Até o momento não foi possível determinar o objetivo exato do ataque. A explosão provocou uma potente onda expansiva e muitos danos nas proximidades.

Um homem-bomba detonou um caminhão cheio de explosivos na praça Zanbaq, no 10.º distrito de Cabul. O ataque aconteceu às 8h30 locais (1h30 em Brasília), segundo o Ministério do Interior.

A autoria da ação não foi reivindicada até o momento. Um porta-voz dos taleban escreveu no Twitter que o grupo "não está envolvido no atentado de Cabul e o condena com veemência".

A explosão aconteceu perto de um posto de controle que monitora o acesso ao palácio presidencial, em uma área com muitas embaixadas. A região do ataque foi dominada por uma grande coluna de fumaça.

Várias embaixadas mencionaram danos materiais, incluindo as representações da França, Alemanha, Japão, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Índia e Bulgária.

A ação foi tão violenta que abalou grande parte da cidade, quebrando vidraças e provocando pânico na população. Um fotógrafo da agência de notícias France-Presse observou vários corpos no chão e feridos que pediam ajuda na área da explosão.

A região do ataque estava repleta de carros destruídos. As forças de segurança e os serviços de emergência foram mobilizados. Dezenas de homens e mulheres tentavam passar pelos postos de controle em busca de informações sobre parentes.

Com o número elevado de vítimas, o Ministério do Interior fez um apelo à população para a doação de sangue nos hospitais da capital. 

A missão da Otan no país elogiou a "vigilância e a coragem das forças de segurança afegãs que impediram o veículo" de avançar ainda mais na zona diplomática.

Ofensiva. O ataque aconteceu poucos dias depois do início do mês sagrado do Ramadã, o jejum muçulmano.

O chefe do Executivo afegão, Abdullah Abdullah, condenou o ataque no Twitter. "Estamos a favor da paz, mas os que nos matam durante o mês sagrado do Ramadã não merecem ser convocados para selar a paz, devem ser destruídos", escreveu.

O papa Francisco denunciou um ataque "abjeto", e Washington condenou a ação como "atroz". "O fato deste ataque acontecer no mês do Ramadã ressalta sua dimensão bárbara", indicou uma autoridade da Casa Branca, ressaltando que a embaixada dos EUA em Cabul trabalhava com seus parceiros para ajudar os afetados.

A organização Anistia Internacional também condenou o "horrível ato de violência deliberado, que demonstra que o conflito no Afeganistão não diminui, e sim aumenta perigosamente, de uma maneira que deveria alarmar a comunidade internacional".

O ataque coincide com a “ofensiva de primavera” anunciada no fim de abril pelos taleban. Nas últimas semanas, o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) também executou vários atentados na capital afegã.

O diretor do Pentágono, Jim Mattis, declarou há alguns dias que 2017 será um ano difícil para Exército afegão e para os soldados estrangeiros enviados ao Afeganistão. O presidente americano, Donald Trump, está examinando o possível envio de milhares de militares para enfrentar a situação.

O governo dos EUA, envolvido no Afeganistão no conflito mais longo de sua história, mantém no país 8,4 mil soldados, ao lado de 5 mil militares dos países aliados, com a missão de treinar e assessorar as Forças Armadas afegãs. / AFP

Mais conteúdo sobre:
CABULTerrorismoAfeganistão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.