Atentado contra parlamentar mata ao menos 15 no Paquistão

Homem-bomba ataca residência de político do partido do ex-premiê e fere 50 pessoas durante encontro

Agência Estado e Associated Press,

06 de outubro de 2008 | 11h30

 Um suicida atacou a residência de um parlamentar no leste do Paquistão, nesta segunda-feira, matando pelo menos 15 pessoas e ferindo mais de 50, segundo funcionários e uma testemunha. O ataque na província do Punjab é o último de uma série contra o governo, militares e ocidentais no país, um importante aliado dos Estados Unidos na guerra ao terror. O agressor entrou na propriedade do parlamentar Rasheed Akbar Niwani, que pertence ao principal partido que faz oposição ao governo federal. O policial Khan Baig confirmou o número de vítimas. Niwani sobreviveu ao ataque. "Tudo tornou-se negro aqui", descreveu Mohammad Ashraf, por telefone. "Eu estou vendo pedaços de corpos por todo lado. Há muitas cabeças no chão e sangue em toda parte", disse a testemunha. A província mais populosa e próspera do país, o Punjab é foco de violência de militantes que atacam no noroeste do país. No noroeste, região fronteiriça com o Afeganistão, o Taleban e a Al-Qaeda têm bases. Sem acordo Também nesta segunda-feira, o governo paquistanês insistiu que não realizou nenhum acordo com os Estados Unidos permitindo ataques com mísseis a esconderijos dos militantes. O jornal norte-americano The Wall Street Journal citou o presidente Asif Ali Zardari como se estivesse sugerindo o contrário. Zardari também teria dito em entrevista que "a Índia nunca foi uma ameaça" ao país. Além disso, qualificou os grupos militantes islâmicos na região da Caxemira como "terroristas". Os comentários podem gerar problemas para Zardari, que assumiu há um mês, especialmente entre os militares. "Nós temos um acordo, no sentido de que estamos buscando um inimigo juntos", disse Zardari segundo o Journal. Um porta-voz do presidente disse nesta segunda-feira que o jornalista exagerou em sua interpretação da fala, e que ele tratava apenas genericamente do tema da luta contra o terrorismo. Os Estados Unidos realizam há tempos ataques pontuais em supostos esconderijos do Taleban e da Al-Qaeda no noroeste paquistanês. Porém um recente aumento dessas operações causou protestos no governo local. Os comentários sobre a Índia também podem causar desconfiança entre os paquistaneses. Os arqui-rivais Índia e Paquistão já lutaram três guerras, duas delas pela Caxemira, região a que os dois países afirmam ter direito. O Paquistão freqüentemente se refere aos rebeldes separatistas da Caxemira como "guerreiros da liberdade", e nega as acusações da Índia de que os financia e treina. O porta-voz do Exército paquistanês não quis comentar o assunto nem as declarações do presidente.

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