Atentado contra xiitas mata 23 no Iraque

Disputa por templo em cidade de maioria sunita teria motivado ataque; violência sectária ameaça o país após retirada dos EUA no fim de 2011

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2012 | 03h37

A explosão de um carro-bomba matou pelo menos 23 pessoas e feriu cerca de 50 na sede de uma fundação religiosa xiita ontem em Bagdá. O ataque ocorreu em meio a uma disputa entre religiosos sunitas e xiitas por causa de um templo ao norte de Bagdá e a um longo impasse político por questões sectárias.

"Nós pedimos ao povo iraquiano, e especialmente aos filhos de nossa religião, que sepultem o conflito porque há um plano de lançar uma guerra civil entre o povo e entre as seitas iraquianas", disse Sami al-Massudi, diretor da instituição.

Segundo ele, a instituição xiita havia recebido ameaças nos últimos dias por causa do templo Al-Askari, um local xiita na cidade de Samarra, de maioria sunita, ao norte de Bagdá. A mesquita de domo dourado foi alvo de um ataque suicida em fevereiro de 2006.

O ataque de ontem ocorreu após uma série de atentados que deixou 17 mortos em Bagdá, na semana passada. Dois policiais disseram que o carro cheio de explosivos estava parado num estacionamento perto do prédio da fundação.

A violência no Iraque tem diminuído, mas insurgentes sunitas ligados à Al-Qaeda ainda são capazes de organizar ataques contra grupos xiitas. Segundo analistas, esses atentados podem estimular a tensão sectária, que em 2006 e 2007 levou o país à beira da guerra civil.

Desde o começo no ano, no entanto, com a retirada das tropas americanas do país, o Iraque tem vivido uma crise política. Partidos sunitas e curdos ameaçam o primeiro-ministro xiita Nouri al-Maliki com uma moção de desconfiança no Parlamento. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.