Atentado deixa 61 mortos em Bagdá

Tragédia. Parentes de uma das vítimas do homem-bomba choram diante do Hospital de Bagdá: Obama condena ataque, mas diz que prazo será mantido                

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

 

 

 

 

Duas semanas antes do encerramento das operações de combate das forças americanas no Iraque, um suicida detonou uma bomba em Bagdá ontem, matando ao menos 61 pessoas e ferindo mais de 100. A maior parte das vítimas era de recrutas e soldados das forças iraquianas que estavam em uma fila.

Além do atentado no centro de recrutamento, considerado o mais sangrento em Bagdá nos últimos meses, outras oito ações contra juízes deixaram dois mortos e dezenas de feridos na capital iraquiana e em outras regiões do país.

Os ataques de ontem voltaram a levantar questionamentos sobra a capacidade de o Exército e a polícia do Iraque conseguirem garantir a segurança sem a presença das forças de combate americanas, que serão removidas até o final do mês.

Na semana passada, um general do alto escalão iraquiano afirmou publicamente que suas forças estarão preparadas apenas em 2020.

Sem mudança. O presidente dos EUA, Barack Obama, condenou o atentado, que ocorreu no início do mês sagrado do Ramadã. Apesar disso, o governo americano indicou que os planos para remover as tropas serão mantidos. "Nossa missão de combate encerra-se no fim do mês, mas teremos tropas no país para dar apoio às forças iraquianas quando necessário", disse o porta-voz Bill Burton.

A partir de setembro, o contingente americano no Iraque será de cerca de 50 mil homens que serão usados para treinamento e apoio logístico. No auge da ocupação americana, durante 2006 e 2007, chegou a ter cerca de 165 mil americanos no Iraque.

O atentado de ontem em Bagdá tinha como objetivo afetar a capacidade do Exército de recrutar novos homens. Depois do ataque, muitos jovens iraquianos podem ficar relutantes de se alistar. O pagamento dos soldados, de cerca de US$ 500 mensais no início da carreira, é considerado elevado para os padrões iraquianos. A boa remuneração busca incentivar os jovens a integrar o Exército, apesar da violência.

Atualmente, 220 mil soldados e mais de 400 mil policiais integram as forças iraquianas. Segundo analistas, este número é insuficiente para manter a estabilidade do país. Apesar de nenhum grupo ter reivindicado o atentado de ontem, o porta-voz militar do Iraque, general Qassim al-Moissawi, responsabilizou integrantes do grupo conhecido como Al-Qaeda no Iraque - uma espécie de "filial" da organização comandada por Osama bin Laden.

Os jovens estavam enfileirados com seus documentos para entregar em um centro de recrutamento onde funcionou no passado o Ministério da Defesa do regime de Saddam Hussein. O homem-bomba juntou-se a eles e, no momento em que a polícia pediu que os jovens entregassem os papéis, o terrorista detonou os explosivos.

PONTOS-CHAVE

Instabilidade política

Nenhuma coalizão obteve maioria no Parlamento na eleição de março e o ex-premiê Iyad Allawi teve vitória apertada

Incerteza econômica

Falta de legislação, infraestruturas obsoletas e insuficientes ou danificadas por ataques insurgentes devem prejudicar a produção petrolífera no país

Retirada dos EUA

Casa Branca começar a retirar tropas no final do mês, deixando 50 mil soldados em tarefas de apoio. Teme-se que grupos sectários retomem a violência

Violência insurgente

Atentados recentes indicam que a Al-Qaeda tem grande potencial de ataque, apesar de os EUA alegarem que os terroristas estão enfraquecidos e sem liderança

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