EFE/EPA/DHA
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Turquia busca autor de atentado que matou 39 na noite de ano-novo

Mais de 17 mil policiais patrulham as ruas de Istambul, uma das principais cidades do país, em busca de atirador que invadiu a boate Reina, no Estreito do Bósforo, e abriu fogo em uma festa; primeiros indícios envolvem radicalismo islâmico

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

01 Janeiro 2017 | 18h28
Atualizado 01 Janeiro 2017 | 19h42

A polícia turca caçava na noite de ontem o homem que abriu fogo em uma discoteca de luxo em Istambul na noite de ano-novo e matou ao menos 39 pessoas. O país tem sofrido uma série de atentados nos últimos meses e Istambul, alvo de seis deles desde 2015, entrou em estado de alerta. Nenhum grupo reivindicou até ontem a autoria do ataque, mas as primeiras evidências apontam para o Estado Islâmico (EI).

Mais de 17 mil policiais vasculham as ruas da cidade em busca do suspeito, que deixou sua arma no local da festa e estava foragido. Uma das teses é de que o atirador se passou por um dos feridos para conseguir escapar. Com 300 câmeras espalhadas pela boate, a polícia tenta agora identificá-lo.

Durante o dia, havia certa confusão sobre o que teria ocorrido na boate. Testemunhas chegaram a falar em dois atiradores e alguns citaram o fato de estarem vestidos de Papai Noel. O ministro do Interior, Süleyman Soylu, garantiu, no entanto, que o ataque foi cometido por uma pessoa que não estava disfarçada. “Uma caça ao terrorista está sendo realizada. A polícia já lançou a operação e esperamos que ele seja capturado em breve”, disse Soylu.

Diversos governos condenaram o ataque. A Casa Branca classificou o atentado como “selvageria” e manteve seu alerta aos cidadãos americanos sobre os riscos de fazer viagens neste momento a locais turístico da Turquia. O presidente americano, Barack Obama, ofereceu ajuda às autoridades turcas.

O presidente russo, Vladimir Putin, que tenta uma aproximação com presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, também condenou os ataques, enquanto o papa Francisco pediu que o mundo rezasse pelas vítimas.

Erdogan prometeu lutar contra o terrorismo “até o fim” e acusou o autor do ataque de tentar criar o caos, desmoralizar o povo e desestabilizar o país. “Faremos todo o necessário para garantir a segurança dos cidadãos e a paz na região”, disse.

Suspeitas. Autoridades turcas declararam às agências oficiais que o ataque teve um “caráter terrorista”, uma designação que pode se referir tanto a militantes islâmicos quanto a separatistas curdos. Pelo menos 69 feridos foram transferidos a hospitais da região.

O Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK), no entanto, tentou rapidamente se distanciar do atentado e declarou que não aceitaria a morte de civis inocentes. Há poucas semanas, militantes curdos foram os responsáveis por um ataque em um estádio de futebol que deixou 46 mortos - a maioria, policiais.

O governo deu indicações que já teria indícios da identidade do autor e o ataque coincide com o apelo feito pelo líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, de convocar seus militantes a atacar a Turquia. O ataque ocorreu poucos dias depois de o grupo Nashir - próximo ao EI - divulgar três mensagens pedindo que jihadistas transformassem as festas no Ocidente em “dias de terror”.

O grupo sugeria atentados contra teatros, mercados e boates. “Transforme suas festas em lamentos e em funerais”, dizia uma das mensagens. Por não ser uma festa muçulmana, o ano-novo também foi alvo de críticas por clérigos radicais do país. Um dos sobreviventes indicou que o autor do atentado gritava “Allahu Akbar” (Deus é o maior) durante o ataque.

O governo turco confirmou que, entre os 39 mortos, 24 eram estrangeiros de 15 nacionalidades diferentes. Estão entre as vítimas jordanianos, sauditas, israelenses, sírios, libaneses, além de um belga, um francês e filhos de políticos da Índia.

A Turquia vem sendo alvo de uma série de atentados, tanto contra a população civil, como contra autoridades, policiais e mesmo diplomatas estrangeiros. Desde 2015, foram 19 ataques, com mais de 400 mortos. 

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