Atentado deve apressar eleição do presidente libanês

Em meio à escalada da tensão, Parlamento pode eleger o general Suleiman na segunda-feira

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

A pergunta, assim como após todos os atentados ocorridos no Líbano desde o ataque que matou o ex-premiê Rafic Hariri, em fevereiro de 2005, é sempre a mesma. Quem está por trás da ação terrorista que matou mais uma figura pública libanesa? Provavelmente não saberemos a resposta, pois desde a guerra civil (1975-90) ninguém foi preso por envolvimento em nenhum das dezenas de atentados com carro-bomba no país. Ontem, foi a vez de o general François al-Hajj, um dos mais poderosos do Líbano, entrar para a lista das vítimas de terroristas misteriosos. No entanto, como já é comum em Beirute, cada um dos lados dá sua versão do que aconteceu ontem. Os governistas da coalizão 14 de Março, como sempre, apontam o dedo para a Síria. Já os opositores, da 8 de Março (liderada pelo Hezbollah e aliada de Damasco), lembram que Hajj, ao contrário de outras vítimas recentes de atentados, não era um inimigo da Síria. Para eles, os responsáveis seriam os israelenses. Especula-se também no Líbano sobre a possibilidade de que o atentado tenha sido cometido por algum grupo inspirado na Al-Qaeda, como o Fatah al-Islam. Afinal, Hajj foi o comandante da operação lançada em meados do ano contra o grupo extremista no campo de refugiados palestinos de Nahr el-Bared, no norte do país. Mas, para Hani Sabra, analista político de Oriente Médio da Eurasia - principal consultoria de análise de risco político dos Estados Unidos -, essa versão não é a mais provável. Para ele, no atual contexto, é mais lógico vincular o atentado à eleição presidencial. Os dois lados já chegaram a um nome de consenso, o do comandante do Exército, Michel Suleiman. Mas o general ainda não foi eleito, pois há disputas internas para saber quem será o premiê e como deve ser composto o gabinete. E a divisão é ainda maior do que era na questão da escolha do presidente. O ataque de ontem, segundo Sabra, deve pressionar os deputados a eleger Suleiman o quanto antes. A próxima data marcada para a votação é segunda-feira, embora a eleição possa ser adiada pela oitava vez. Mas os deputados não podem esperar muito tempo, pois a situação tende a se agravar. Concordando em parte com o que dizem os opositores, Sabra diz que Hajj não era conhecido como anti-sírio, diferentemente de políticos e jornalistas mortos em outros ataques. Na verdade, ele subiu na hierarquia militar quando Damasco controlava o Líbano. Por esse motivo, o analista político afirma que a maior parte dos comandantes militares libaneses atuais é simpática à Síria, apesar da neutralidade que o Exército vem demonstrando desde a retirada das tropas sírias do Líbano, em meados de 2005. Essa posição recente, mais legalista, dos generais contribuiu para que os governistas anti-Síria aceitassem o nome de Suleiman. Sabra diz que é improvável uma nova guerra civil. Segundo o analista, é importantes destacar que, da mesma forma que nos episódios anteriores, o Exército evitou acusar algum grupo e manteve a calma no país.

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