Atentado do Taleban mata 55 no Paquistão

Ataque seria resposta a ações do Exército em áreas tribais na fronteira com Afeganistão

Agências

02 Novembro 2014 | 14h17

Atualizada às 19h10

Um suicida detonou neste domingo, 2, explosivos presos a seu corpo nos arredores de um posto de checagem paramilitar próximo da fronteira do Paquistão com a Índia, causando a morte de 55 pessoas, no mais grave atentado no país nos últimos meses. O Taleban paquistanês reivindicou o ataque, dizendo que foi uma resposta às ações do Exército contra suas posições em áreas tribais na fronteira do Paquistão com o Afeganistão. 

“Reivindicamos a autoria do ataque suicida de Lahore”, disse o comandante do Taleban paquistanês, Gilamn Mehsud. O incidente ocorreu na passagem fronteiriça de Wagah, perto da cidade paquistanesa de Lahore, e Amritsar, na Índia, no momento em que centenas de pessoas retornavam de uma cerimônia de recolhimento de bandeira, ato que os Exércitos dos dois países realizam há décadas e muito popular entre turistas. 
O chefe da polícia local, Mushtaq Sukhera, disse a jornalistas que o número de mortos poderia aumentar, uma vez que havia muitos feridos em estado grave. A polícia investiga o atentado e, segundo fontes da inteligência, o país sabia que um ataque naquela cidade poderia ocorrer.
O porta-voz da polícia, Bilal Lal, disse que o suicida tinha entre 18 e 22 anos. Ele detonou os explosivos no momento em que o público dirigia-se para o estacionamento, no fim da cerimônia. As TVs locais mostraram imagens de lojas e de edifícios destruídos pela explosão. 
O médico Khurram Shahzad, do hospital Ghurki, para onde parte dos feridos foi levada, informou que entre as vítimas havia dez mulheres e sete crianças, além de oito integrantes de uma mesma família. 
O diretor provincial das forças paramilitares, o general Tahrir Javed, disse que três soldados estavam entre os mortos. Ele e outros membros do grupo disseram desconhecer o que teria motivado o atentado. 
O ataque ocorreu às vésperas do início da Ashura, um ritual xiita de dez dias para lembrar morte do imã Hussein, neto do profeta Maomé. A segurança foi reforçada em todas as principais cidades do Paquistão para prevenir possíveis ataques contra as minorias xiitas durante a cerimônia. No entanto, não havia procissões xiitas previstas para a região onde ocorreu o ataque. Os xiitas representam cerca de 20% da população paquistanesa de 180 milhões de pessoas. 
Turismo. Centenas de turistas visitam a região fronteiriça de Wagah todos os dias para observar as bandeiras do Paquistão e da Índia serem baixadas pouco antes do pôr do sol. Nova Délhi e Islamabad já estiveram envolvidos em três guerras e permanecem em conflito pela região da Cachemira, reivindicada pelos dois lados.
A Índia acusa o Paquistão de patrocinar grupos jihadistas na região e encorajar incursões em território indiano, acusação negada pelo governo de Islamabad. A reivindicação do Taleban sugere de fato que o ataque pode não ter relação com a Índia.
O primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, prestou condolências aos parentes das vítimas, de acordo com a Radio Pakistan. Islamabad sofre com a insurgência de militantes do Taleban e terroristas que causou no ano passado a morte de 2,5 mil pessoas em 1,7 mil ataques.
O Exército paquistanês começou, em 15 de junho, uma ofensiva militar na região tribal do Waziristão do Norte, onde mobilizou 30 mil soldados para tentar acabar com os grupos insurgentes que se escondem na região. A operação já causou a morte de cerca de 1,1 mil rebeldes e 90 soldados paquistaneses. / REUTERS, AFP, EFE e APL
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