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Atentado em Bogotá coloca em risco processo de paz com o ELN

Guerrilha assumiu autoria do ataque ocorrido na semana passada em uma praça da cidade; governo e grupo negociam um cessar-fogo bilateral

O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2017 | 20h53

BOGOTÁ - O atentado do ELN em Bogotá coloca em risco o processo de paz do governo de Juan Manuel Santos com a guerrilha, que visa a acabar com um conflito armado de meio século, após um acordo histórico com as Farc. O Exército de Libertação Nacional (ELN) reivindicou à meia-noite do domingo 26 a autoria do atentado contra uma patrulha policial ocorrido no dia 19 perto da praça de touros de Bogotá, levando ao rechaço do governo, que enfatizou que fatos assim afastam a possibilidade de cessar-fogo que as partes haviam se comprometido a buscar dias atrás.

"Se o ELN acha que, com atos terroristas como o de La Macarena, irá pressionar por um cessar-fogo, está muito enganado. O cessar-fogo será alcançado quando o ELN compreender que a ele se chega desescalando, e não escalando o conflito", publicou no Twitter o negociador-chefe do governo, Juan Camilo Restrepo.

No entanto, após a reivindicação, a última guerrilha em atuação na Colômbia, que pegou em armas em 1964, afirmou que as negociações com o governo haviam sido retomadas nesta segunda-feira, 27, em "bom ambiente entre as partes".

O policial Albeiro Garibello morreu na quarta-feira "com o impacto do explosivo", e, entre os 26 afetados, vários tiveram ferimentos graves, informaram autoridades. Além disso, houve danos materiais.

Horas antes de assumir o ataque em Bogotá, o ELN reivindicou a autoria do ataque com explosivos contra uma patrulha militar ocorrido no dia 14 na região leste da Colômbia, que deixou dois soldados feridos, e outros vários atentados contra o oleoduto Caño Limón Coveñas.

Coerência. A guerrilha, por meio do Twitter, argumentou que o presidente Santos impôs "o diálogo em meio ao conflito", e "desde o início, o ELN propôs um cessar-fogo bilateral". "Não é coerente por parte do governo sentar-se à mesa para falar de paz enquanto dilata o cessar-fogo bilateral e submete ao sofrimento da guerra a população e as partes que se enfrentam", acrescenta o ELN.

Santos, ganhador do Nobel da Paz de 2016, deseja fechar um acordo com o ELN para alcançar a "paz completa" no país, após a assinatura, em novembro do ano passado, de um pacto com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal e mais antiga guerrilha do país.

O violento conflito armado na Colômbia envolveu, além de guerrilhas, paramilitares e agentes do Estado, deixando 260 mil mortos, 60 mil desparecidos e 6,9 milhões de deslocados, de acordo com números oficiais.

Os diálogos com o ELN, iniciados no dia 7 de fevereiro sob a supervisão de Brasil, Equador, Chile, Cuba, Venezuela e Noruega, transcorrem sem uma trégua em terra, o que Santos, a princípio, descartou, por considerar que fortaleceria o grupo rebelde, que conta com 1,5 mil combatentes, segundo estimativas oficiais. /AFP

 

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