Atentado em Cabul teve origem no Paquistão, diz Karzai

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, prometeu nesta quarta-feira confrontar o governo em Islamabad sobre o ataque de um homem-bomba que se explodiu em meio a uma multidão de peregrinos xiitas em uma mesquita em Cabul, na manhã de terça-feira, alegando que o atentado teve origem em solo paquistanês.

AE, Agência Estado

07 de dezembro de 2011 | 12h18

O ataque matou pelo menos 56 pessoas e feriu cerca de 160, dentre elas muitas crianças, no começo do feriado muçulmano xiita da Ashura, que para os seguidores do ramo xiita do Islã marca a morte de Hussein, neto do profeta Maomé. Na cidade de Mazar-i-Sharif, no norte afegão, outro atentado, feito com uma bomba, matou mais quatro pessoas.

Um homem dizendo ser do Lashkar-e-Jhangvi al-Alami, um grupo dissidente do Lashkar-e-Jhangvi com base no Paquistão e que tem promovido ataques contra muçulmanos xiitas neste país, convocou diversos meios de comunicação para reivindicar a responsabilidade pelo atentado em Cabul. A veracidade da reivindicação não pôde ser determinada.

Karzai disse acreditar no suspeito e em sua reivindicação, embora não tenha dado mais detalhes. "Estamos investigando essa questão e vamos conversar com o governo paquistanês sobre isso", disse o presidente afegão a jornalistas enquanto visitava um hospital onde dezenas de pessoas feridas no ataque eram tratadas. Ele disse que o atentado não foi apenas um ato de ódio contra os muçulmanos, mas também contra a humanidade. "O Afeganistão não pode ignorar o sangue de todas as vítimas deste incidente, especialmente o das crianças."

O porta-voz dos militares do Paquistão, general Athar Abbas, rejeitou quaisquer suspeitas de que o violento grupo sectário tem ligação com agências de inteligência do país. "O Lashkar-e-Janghvi declarou guerra contra as forças de segurança no Paquistão", afirmou em uma entrevista à Associated Press. Ele disse que o grupo estava envolvido em alguns dos piores ataques contra as forças de segurança paquistanesas. "Eles estão sendo caçados."

Os muçulmanos xiitas formam 20% da população de 30 milhões de afegãos, em grande parte do grupo étnico hazara. Embora milhares de hazaras tenham sido massacrados nos anos 1990 pelo Taleban, recentemente os extremistas afegãos, quase todos sunitas, têm desfechado seus ataques contra tropas dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). As informações são da Associated Press.

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