Atentado em Damasco mata ministro da Defesa e cunhado de ditador sírio

Uma reunião em Damasco da cúpula das forças de segurança do regime de Bashar Assad foi alvo de um atentado a bomba ontem, matando pelo menos quatro autoridades do primeiro escalão da ditadura síria. Entre as vítimas, estão um cunhado de Assad, Assef Shawkat, e o ministro da Defesa, Dawoud Rajh - ambos generais. O Exército Sírio Livre (ESL), organização insurgente que reúne grupos de oposição, assumiu a autoria do ataque.

DAMASCO , O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2012 | 03h02

O golpe contra o topo do regime ocorreu no quarto dia de uma violenta - e inédita - ofensiva insurgente na capital síria, o reduto da ditadura. Até ontem, nenhum integrante da cúpula do regime ou do clã Assad havia sido assassinado, em 16 meses de distúrbios e repressão na Síria.

A TV estatal, que vinha "camuflando" informações sobre os ataques insurgentes na capital, confirmou o atentado na reunião das forças de segurança. Não está claro onde Assad estava no momento da explosão e o ditador não se pronunciou ontem.

A explosão ocorreu no prédio da Segurança Nacional, local fortemente protegido no coração de Damasco. O complexo fica a menos de 500 metros da embaixada dos EUA, fechada desde que Washington retirou seu corpo diplomático de Damasco, em outubro.

Inicialmente, a TV síria afirmou que o atentado havia sido perpetrado por um homem-bomba, mas depois mudou de versão. O líder das forças rebeldes, coronel Riad al-Asaad, reivindicou a autoria do ataque e negou que ele tivesse sido cometido por militantes suicidas. Da Turquia, Asaad disse que insurgentes colocaram a bomba na sala, conseguiram escapar e agora "estão em um lugar seguro".

"Se Deus quiser, esse será o começo do fim do regime", afirmou o comandante em entrevista por telefone à agência Associated Press. "Tomara que Bashar (Assad) seja o próximo."

O ministro do Interior, general Mohammed Shaar, e o chefe do Departamento de Segurança Nacional, general Hisham Ikhtiar, feriram-se no atentado e estão em um hospital da capital. Embora Assad tenha permanecido em silêncio, a TV estatal anunciou o nome do novo ministro da Defesa: general Fahd Jassem al-Freij, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

"Esse ataque mostra que nenhum membro do regime está a salvo, nem mesmo Assad", afirmou Omar Shawaf, representante do Conselho Nacional Sírio, guarda-chuva que reúne diversos grupos de oposição a Damasco. "As mãos do povo sírio e do ESL podem alcançar qualquer um dentro da capital."

A notícia do ataque foi recebida com festa em redutos da oposição, como Deraa e Idlib. Imagens postadas no YouTube mostravam comboios de carros e motos buzinando, com cidadãos dando tiros para o alto.

Mais combates. Em outros bairros da capital, forças de Assad e insurgentes voltaram a se envolver em violentas batalhas. Um dos principais focos do combate é o Distrito de Midan, no sul, mas testemunhas também relataram confrontos na região oeste. Na terça-feira, as batalhas haviam chegado ao centro da capital, incluindo a importante Avenida Bagdá e a rua onde fica o Banco Central sírio.

O regime Assad teria voltado ontem a usar helicópteros de ataque contra forças rebeldes em vários locais da capital. Insurgentes afirmaram na terça-feira ter abatido uma dessas aeronaves, mas a informação não pôde ser confirmada por fontes independentes. O governo sírio impõe severas restrições ao trabalho de repórteres no país.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.