Arte/Estadão
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Em atentado, caminhão avança sobre multidão em Nice e mata ao menos 84

Caminhão avançou dois quilômetros no meio da multidão que acompanhava a festa do Dia da Bastilha em Nice

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2016 | 18h46

Um caminhão em alta velocidade investiu ontem contra uma multidão que participava das comemorações do Dia Nacional de 14 de Julho em Nice, no sul da França. Três horas após o atentado, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, informou que havia 84 mortos, dezenas de feridos, 18 em estado grave. 

Segundo autoridades, depois de atropelar pedestres por dois quilômetros, o motorista desceu do caminhão e abriu fogo contra a multidão. A polícia trocou tiros com ele, que acabou morto. O ataque ocorreu no momento em que moradores da cidade e turistas acompanhavam a queima de fogos de artifícios. 

 

A administração regional de Alpes-Maritimes, da qual Nice é a capital, informou que o ataque ocorreu por volta de 22h30 (17h30 de Brasília) na Promenade des Anglais, calçadão à beira-mar que fica no coração turístico da cidade da Riviera Francesa. As autoridades também orientaram a população a se manter em suas casas, interrompendo os festejos.

O governo desmentiu relatos de que pessoas teriam sido tomadas como reféns e disse que ainda não sabia a motivação do ataque. O prefeito da região, Christian Estrosi, disse que havia muita munição, armas e granadas no caminhão. Investigadores encontraram ainda uma identidade que acreditam ser do motorista, um tunisiano de 31 anos, morador de Nice.

As primeiras imagens distribuídas por redes sociais mostravam corpos aglomerados em plena avenida e pânico, com correria em ruas adjacentes. 

Um vídeo com imagens pesadas mostra dezenas de pessoas caídas em meio à avenida, com os primeiros sobreviventes prestando socorro às vítimas, a maior parte delas imóvel. As vítimas aparecem com fraturas graves e traumatismos cranianos. Em meio a gritos de mulheres e crianças, há pedidos de socorro. “Ajude as pessoas”, pediu uma sobrevivente. “Ajude minha mãe!”, gritou o outro.

Segundo os primeiros testemunhos, há vítimas em uma área que se estende por mais de dois quilômetros de avenida, percurso no qual o motorista avançou até ser interceptado. Uma fotografia do veículo mostra a dianteira do caminhão semidestruída e seu para-brisa perfurado por dezenas de disparos. O motorista do caminhão foi abatido pelas forças de ordem. Para atender as vítimas, um hospital de campanha foi instalado no centro de Nice, onde estabelecimentos comerciais foram requisitados para auxiliar no socorro aos sobreviventes.

No início da madrugada, o Polo Antiterrorista do Ministério Público, que investiga os casos de atentados, foi oficialmente acionado para a apuração. Nenhum grupo nacional ou internacional havia, até a noite de ontem, reivindicado a autoria do ataque. O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, disse que os investigadores tentavam determinar se o terrorista havia atuado sozinho ou se teve ajuda de cúmplices.

Simpatizantes do grupo Estado Islâmico celebraram nas redes sociais o ataque em Nice. “O número de mortos chegou a 62 cruzados franceses e infiéis em Nice. Allah é grande!”, comemorou um simpatizante pelo Twitter, quando a contagem ainda era parcial. 

Segundo o Palácio do Eliseu, o presidente da França, François Hollande, deixou a cidade de Avignon, onde passava a noite, e se dirigiu a Paris no início da madrugada, onde um centro de crise foi organizado pelo Ministério do Interior, órgão que controla as forças de segurança do país. No domingo, a França respirou aliviada depois que a Eurocopa 2016, realizada no país, terminou sem nenhum ataque.

Brasil. Em nota, o presidente em exercício do País, Michel Temer, disse ser “lamentável que no dia que eternizou a fraternidade como lema do povo francês um atentado destrua a vida de tantos cidadãos”. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

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