Mohsin Raza/Reuters
Mohsin Raza/Reuters

Atentado em parque mata ao menos 69 pessoas no Paquistão

Maior parte das vítimas era de mulheres e crianças; ataque de homem-bomba em Lahore, na província de Punjab, deixou cerca de 300 feridos

O Estado de S.Paulo

27 de março de 2016 | 14h49

LAHORE, PAQUISTÃO - Um homem-bomba deixou pelo menos 69 mortos e mais de 300 feridos neste domingo, 27, em um parque lotado na cidade de Lahore, no Paquistão. Segundo o porta­voz do governo da Província de Punjab, Zaeem Qadri, a maioria das vítimas são mulheres e crianças. Muitos eram cristãos que celebravam o domingo de Páscoa no parque. “Vários feridos estão em estado grave e tememos que o número de mortes aumente de forma considerável”, disse Qadri.

Ahsanullah Ahsan, porta-voz do grupo Jamaat-ul-Ahrar, uma facção do Taleban, assumiu a autoria do ataque. Segundo ele, o atentado tinha como alvo a comunidade cristã da cidade. Em comunicado, Ahsan afirmou que “novos ataques” serão realizados no Paquistão.

“Queremos enviar esta mensagem para o primeiro-ministro Nawaz Sharif, que nós entramos em Lahore”, disse o porta-voz. “Ele pode fazer o que quiser, mas não conseguirá nos deter. Nossos homens-bomba continuarão os ataques.” Lahore, capital da Província de Punjab, é a cidade natal do premiê Nawaz Sharif.

A explosão ocorreu às 19 horas, horário local (10 horas em Brasília), no Parque Gulshan-e-Iqbal, perto de um brinquedo para crianças. O chefe de polícia da cidade, Haider Ashraf, afirmou que o ataque provavelmente foi realizado por um homem-bomba, mas as investigações ainda estão em andamento. De acordo com ele, várias famílias deixavam o parque no fim da tarde quando ocorreu a explosão.

Autoridades do setor de segurança informaram que o Parque Gulshan-e-Iqbal foi imediatamente cercado por guardas e por seguranças privados. O governo municipal informou ainda que mandou fechar todos os parques públicos de Lahore. As principais áreas comerciais também foram fechadas e muitas das ruas principais da cidade ficaram desertas.

“Nós estamos em uma situação de guerra e existe sempre uma ameaça geral, mas não havia sido recebido nenhum alerta de específico para esse local”, afirmou Ashraf.

Imagens de emissoras de TV paquistanesas mostraram cenas caóticas no parque, com pessoas correndo enquanto levavam crianças em meio aos feridos. Uma testemunha não identificada disse que caminhava com a família quando ouviu uma grande explosão, que levou ele, sua mulher e seus dois filhos para o chão. Outros relataram um cenário dantesco de sangue e pedaços de corpos espalhados sobre a grama.

Hassan Imran, de 30 anos, contou à agência Reuters as cenas assustadoras que viu no momento do atentado. “Quando ocorreu a explosão, as chamas eram tão altas que ultrapassavam as árvores”, disse Imran, que estava caminhando no parque. “Eu vi corpos voando por todos os lados.” 

Condenação. Os EUA condenaram neste domingo “com firmeza” o “hediondo” ataque em Lahore. “Este ato covarde, em um local que foi durante muito tempo um parque agradável e tranquilo, matou dezenas de civis inocentes e fez muitos feridos”, disse, em comunicado, Ned Price, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. Segundo ele, a Casa Branca continuará a trabalhar com o governo paquistanês contra o terrorismo. “Seremos inflexíveis nos esforços para erradicar o flagelo do terrorismo.”

Com 190 milhões de habitantes, o Paquistão enfrenta a insurgência do grupo radical islâmico Taleban e de suas facções criminosas. Punjab é a maior e mais rica Província paquistanesa e, até então, era tradicionalmente mais pacífica do que outras partes do país. /REUTERS e AP

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