Atentado fere pelo menos 60 na Espanha

Governo acusa ETA por ataque a bomba contra quartel da Guarda Civil

AP, EFE E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

30 de julho de 2009 | 00h00

Uma caminhonete-bomba explodiu na madrugada de ontem perto de um quartel da Guarda Civil na cidade de Burgos, no norte da Espanha, deixando pelo menos 60 pessoas com ferimentos leves. Apesar de nenhuma organização ter reivindicado a autoria do atentado, o governo espanhol acusou a organização separatista basca ETA de ser a autora do ataque.Os explosivos foram detonados às 4 horas locais (23 horas da terça-feira em Brasília), quando pelo menos 120 pessoas, entre elas 41 crianças, estavam no local. O quartel funciona também como residência dos agentes e de suas famílias. Diferentemente de outras ocasiões, desta vez não houve nenhuma chamada telefônica ou reivindicação do ataque.De acordo com o ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, essas características são comuns quando o alvo é a Guarda Civil. Estima-se que, desde sua criação em 1959, a organização já tenha lançado mais de 80 ataques contra agentes militares."Foi um atentado falho que buscava vítimas mortais", disse o ministro. "Foi um ataque pensado para prejudicar a Guarda Civil e seus parentes, o que dá ao ocorrido um caráter especialmente canalha." Segundo o ministro, as autoridades estão investigando se o veículo que explodiu foi roubado na França.A explosão danificou 7 dos 14 andares do prédio, além de ter aberto um buraco enorme na fachada do edifício. Com base na análise dos danos causados pelos explosivos, especialistas afirmaram que é um milagre que nenhuma morte tenha sido registrada. Dos mais de 60 feridos, cerca de 30 foram encaminhados para o hospital, mas até a noite de ontem, todos já haviam sido liberados.O ministro não revelou quais materiais foram utilizados para fazer a bomba e também não soube informar a quantidade de explosivos usada. Mas, segundo a imprensa, a caminhonete estaria carregada com cerca de 200 quilos de explosivos. "(Os integrantes da ETA) são assassinos, selvagens e enlouquecidos e isso não faz deles mais fortes e sim mais perigosos", afirmou Pérez Rubalcaba.DEBILITAÇÃO DO GRUPOSegundo o ministro, após anos de perseguição policial, uma considerável debilitação de sua estrutura e da prisão de vários de seus líderes, a ETA quis dar uma demonstração da força que ainda tem com o atentado.A ETA, que luta pela criação de um país independente na região do País Basco e sul da França, é considerada uma organização terrorista pelos EUA e pela União Europeia. Ao longo de quatro décadas, as ações do grupo deixaram mais de 850 mortos.

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